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Emocionada, Dilma pede a petistas tolerância para governar coalizão

Em primeiro encontro com o PT após eleita, futura presidente encarna o gestual petista, se emociona, faz ironias, mas cobra de correligionários maturidade para ceder espaços na coalizão; dirigentes farão lista pedindo cargos em ministérios e estatais

Vera Rosa e Eugênia Lopes, de O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2010 | 12h10

BRASÍLIA - No primeiro encontro com o Diretório Nacional do PT após eleita presidente, Dilma Rousseff, se emocionou, chegando a chorar, e pediu "compreensão", "tolerância" e "maturidade" dos petistas para governar. No momento em que os partidos aliados travam uma disputa por ministérios, Dilma pregou a unidade do PT e defendeu as alianças e coligações políticas para governar.

 

Dilma, entre os 'porquinhos' Dutra e Cardozo, se emocionou em discurso no Diretório Nacional do PT

 

"A partir do momento que nós ganhamos, nós também temos que compreender esse processo com maturidade. A compreensão é que temos que governar para aqueles nos apoiaram e para aqueles que não nos apoiaram", disse a presidente eleita. Ao pedir compreensão aos petistas para governar, Dilma destacou a capacidade do PT de entender que, mesmo com posicionamentos políticos diferenciados, é importante a relação com os demais partidos que integram "a coligação que vai governar o País".

 

"Aprendemos a conviver com as diferenças. E sabemos que é possível, apesar das diferenças, criar um consenso em prol do Brasil’, afirmou Dilma. "Nós somos pessoas muito mais experientes na complexa relação entre partido, governo e movimento social", observou. "O fato de termos responsabilidades diferentes e características diferentes não significa que nós não tenhamos o mesmo grande projeto de transformação do País."

 

A divisão de espaços no futuro governo e a formação de um "blocão" no Congresso, integrado por cinco partidos (PMDB, PP, PR, PTB e PSC), dominaram os bastidores da reunião de ontem.

 

"O PT e o PMDB estão condenados a se entender e a governar juntos com os partidos que apoiam Dilma", disse o ex-ministro José Dirceu, que foi uma das estrelas do encontro. Dilma foi escoltada por "figurões" do partido, como o governador reeleito Jaques Wagner (BA), chamados a reforçar os canais de comunicação da eleita com o PT.

 

Na reunião, o PT deixou claro seu apetite por cargos. No governo Lula, o partido ocupa 17 dos 37 ministérios. Ficou acertada a criação de uma comissão do partido para apresentar nomes e áreas que o PT quer abocanhar no futuro governo. Na mira estão os ministérios das Cidades, Saúde, Comunicações e Integração Nacional, pastas hoje nas mãos de peemedebistas e do PP.

 

"Foi uma reunião de deputados, senadores e dirigentes do partido que acharam que deveríamos pleitear áreas que o PT não ocupa hoje", resumiu o presidente nacional do partido, José Eduardo Dutra. "Vamos apresentar uma lista com os nomes e áreas que queremos e caberá ao Dutra levá-la para a presidente eleita", disse o líder do PT na Câmara, Fernando Ferro (PE). A lista vai englobar ministérios, estatais e cargos de segundo escalão.

 

Herança bendita

 

Diante de uma plateia de cerca de 200 petistas e quatro governadores do partido, Dilma voltou a lembrar ontem que vai assumir a Presidência em posição vantajosa graças à "herança bendita" que será deixada pelo governo do presidente Lula. Ela observou que parte dessa herança ocorreu graças à aliança em torno do governo de seu antecessor. Na opinião da presidente eleita, o PT é hoje o partido é mais experiente na ação de governo e na atividade política. "Ter características diferentes não significa que não tenhamos um mesmo projeto de transformação de nosso País".

 

Ao discursar Dilma ressaltou ainda que o PT mostrou, durante o governo Lula, capacidade de "conviver com o diferente" e construir consenso político. "É importante enfatizar a maturidade do PT em sua relação com os demais partidos da coligação que vai governar o Brasil a partir de 1º de janeiro." Dilma ressaltou seu compromisso com a erradicação da miséria.

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