Emissoras privadas apóiam criação de rede pública de TV

A Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), entidade que representa o setor privado, saiu na terça-feira, 13, em defesa da proposta do ministro das Comunicações, Hélio Costa, de criar uma rede de televisão pública de alcance nacional.O presidente Luiz Inácio Lula da Silva promoverá na próxima semana uma reunião para começar a detalhar o projeto de criação da Rede Nacional de Televisão Pública, que vai divulgar ações do governo. A intenção, segundo Costa, é que o projeto seja concluído em dois meses."Apoiamos a iniciativa do governo porque ela não traz antagonismo com setor privado e atende ao princípio da complementaridade", afirmou o presidente da Abert, Daniel Slaviero. De acordo com ele, a proposta está prevista no decreto que criou as regras para o início da TV digital e foi amplamente discutida com a entidade.´Já existe´O presidente da Radiobrás, Eugênio Bucci, disse não conhecer a proposta de Costa e alegou não estar participando dos estudos no Ministério das Comunicações. "Nunca fui consultado", disse Bucci.De acordo com ele, "já existe um sistema funcionando, que divulga atos e eventos do presidente e de representantes do governo". O presidente da Radiobrás estava fazendo referência à NBR, um canal especializado no Executivo e que pode ser potencialmente captada por 13,5 milhões de residências.A NBR não tem orçamento próprio. Funciona dentro da estrutura da Radiobrás, com os repórteres e equipamentos da emissora, e retransmite sua programação pelo satélite B-1 da Embratel, para 12 milhões de residências.Tipos de TVA TV estatal é, pura e simplesmente, um instrumento do governo. Seus diretores são nomeados por autoridades políticas e sua finalidade é fazer propaganda e defender as autoridades de críticas. Quem a sustenta é o poder público - a União ou um Estado - e nela a liberdade de informação ou a defesa do interesse público só ocorrem quando coincidem com os objetivos políticos do poder. A TV pública é uma versão mais macia desse modelo. Não busca o lucro, não depende de audiência, não tem por finalidade divulgar ações de governos. Estes ajudam a sustentá-la, às vezes pagando mais de 50% dos custos, complementados por outras fontes da sociedade. Sua gestão é, ao menos teoricamente, autônoma.Por fim, a TV educativa é outro nome da TV pública. Vale para canais que, com a expansão das comunicações, assumiram projetos de teleducação e migraram para um formato de TV cultural.(Colaborou Gabriel Manzano Filho)

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