Emissário de Youssef detalha entrega de dinheiro em delação

Rafael Ângulo Lopez, funcionário de Alberto Youssef e entregador do dinheiro intermediado pelo doleiro no esquema de corrupção investigado na Operação Lava Jato, detalhou em delação premiada a forma de entrega de dinheiro envolvido no esquema a executivos e políticos. Em 26 de novembro, o ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki retirou o sigilo dos depoimentos do funcionário do doleiro.

Beatriz Bulla / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2015 | 02h00

Ao Ministério Público, Ângulo relata ter ido quatro vezes à Camargo Corrêa em 2012, sendo três delas para retirar dinheiro. As entregas de valores na empreiteira eram feitas por João Auler - ex-presidente do Conselho de Administração da empresa - ou Dalton Avancini, ex-presidente, ambos condenados pelo juiz Sérgio Moro na Lava Jato. Os valores ficavam entre R$ 200 mil e R$ 400 mil. Em 2013, foi à construtora duas vezes para entregar em cada uma das vezes R$ 50 mil a Eduardo Leite, ex-diretor vice-presidente da empresa.

Além de citar a Camargo Corrêa - cujos executivos foram condenados por corrupção e lavagem de dinheiro e fizeram delação premiada -, Rafael Ângulo faz menção a operações na Galvão Engenharia, Sanko Sider, Braskem e OAS. A delação de Ângulo, fechada em dezembro do ano passado, foi mantida em sigilo pelo STF até agora. A pedido da Procuradoria-Geral da República, Teori retirou o sigilo dos depoimentos. Ainda há outras delações premiadas ocultas no sistema do STF, como os depoimentos do dono da UTC, Ricardo Pessoa, e do lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano.

Sobre a Galvão Engenharia, o funcionário de Youssef narrou que a MO Consultoria, uma das empresas controladas pelo doleiro, emitia notas. Posteriormente, diz Ângulo, eram realizados saques programados entre R$ 30 mil e R$ 80 mil por Waldomiro Oliveira, tido como laranja de Youssef à frente da MO. Era Ângulo quem acompanhava Waldomiro nos saques. Parte do dinheiro ficaria com Waldomiro, outra parte com Youssef e o restante era repassado pelo doleiro a "políticos, representantes de empreiteiras e pagamentos de contas pessoais e de terceiros".

Outra empresa de fachada usada por Youssef, a GDF Investimentos, serviu para realizar mais uma operação investigada na Lava Jato. A empresa emitiu notas fiscais para a Sanko Sider para que o doleiro recebesse dinheiro por ter intermediado venda de tubos de aço para a Camargo Corrêa. A venda teve intermediação de Eduardo Leite. Ângulo disse ter feito entregas de dinheiro em espécie ao executivo, que retirava os valores no escritório. A delação do funcionário de Youssef traz uma planilha de repasses a Leite, com 40 entregas que vão de R$ 20 mil a R$ 500 mil entre junho de 2010 e fevereiro de 2014.

Sobre a OAS, Ângulo diz que a empresa tinha uma "conta corrente" com Youssef em que transitavam dólares, euros, reais e que "inclusive se levava dinheiro em dólar para o exterior". O fluxo de dinheiro, segundo Ângulo, oscilava entre R$ 300 mil e R$ 500 mil.

A petroquímica Braskem, controlada pela Odebrecht, também é citada. Ângulo diz ter comparecido "inúmeras vezes" à empresa e posteriormente à Odebrecht para entregar contas para depósitos fora do País ao executivo Alexandrino de Alencar. Youssef e o ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa já haviam dito em delação que a Braskem pagou vantagens ao PP para ser beneficiada na compra de produtos da Petrobrás.

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