Emídio diz que PT não promoverá retaliação ao Santander

O presidente do diretório estadual do PT, Emídio de Souza, foi procurado por dois prefeitos da sigla pedindo orientação da direção do partido para reavaliar convênios com o banco Santander, após a polêmica do envio de extrato aos clientes de alta renda do banco apontando o risco de deterioração da economia brasileira caso a presidente Dilma Rousseff seja reeleita.

DAIENE CARDOSO, Agência Estado

28 de julho de 2014 | 20h13

"Não podemos confundir o ataque que eles (analistas do banco) fizeram ao PT. Isso tem de ser respondido pelo PT e não por prefeituras", disse o dirigente ao Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado.

Até esta segunda-feira, 28, só a Prefeitura de Osasco, na Grande São Paulo, anunciou a extinção de um convênio com o banco, sob a alegação de "mau atendimento".

Souza afirmou que o PT não promoverá uma política de retaliação à instituição financeira, mas que cabe a cada gestor avaliar a relação do banco com seus municípios. "Se quiserem tomar decisão (de romper convênio) que tomem, mas não haverá orientação do partido para isso", declarou.

Nesta segunda, em sabatina promovida pelo jornal Folha de S.Paulo, a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, considerou "muito perigoso" especular em situações eleitorais e disse que é "inadmissível" qualquer interferência nesse sentido. Perguntada pelos entrevistadores se o Santander havia feito essa interferência, respondeu: "A pessoa que escreveu a mensagem (do Santander) fez isso, sim, e é lamentável e inadmissível".

Suspensão

A Prefeitura de Osasco rompeu o convênio com o Santander para pagamento de tributos municipais. Segundo a Secretaria de Comunicação de Osasco, o banco vinha se recusando a receber guias de pagamento da prefeitura e o rompimento já estava em discussão havia duas semanas. "Acabou sendo uma feliz, ou infeliz, coincidência", disse o secretário de Comunicação de Osasco, Roberto Trapp. O Santander não quis comentar a decisão da administração petista.

A Prefeitura de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, tem contrato com o Santander para o pagamento de 14 mil servidores da ativa, uma folha de pagamentos equivalente a R$ 60 milhões por mês. A licitação foi feita em 2012 e o contrato de cinco anos com o banco será mantido pela gestão petista.

A Prefeitura de Santo André, também administrada pelo PT, informou que o Santander é um dos bancos credenciados a arrecadar tributos municipais e que vem cumprindo os termos do contrato, "não havendo motivos para sua suspensão".

Demissões

Neste domingo, 27, o presidente mundial do Santander, Emilio Botín, afirmou que o informe distribuído "não é do banco, mas de um analista". Segundo Botín, foram tomadas medidas internas em relação ao episódio e que os esclarecimentos às autoridades e à presidente Dilma Rousseff já foram prestados.

Botín ressaltou que os responsáveis pela elaboração e aprovação do informe serão demitidos. A assessoria de imprensa do banco não informou se os profissionais já foram desligados da instituição.

O Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região aprovou uma moção de repúdio ao banco. "Consideramos o gesto do banco ''irresponsável'', não só com a economia, mas com a democracia brasileira. Uma instituição desse porte não pode, ainda que tenha preferência eleitoral, praticar especulação, agredir a imagem do País e pôr em dúvida a nossa estabilidade", diz a entidade.

Para o sindicato, o cenário mundial é "complicado", mas o governo brasileiro tem mantido o crescimento em nível sustentável, a "inflação controlada, juros estáveis, geração de empregos e elevação da renda". "É inaceitável essa ingerência do banco espanhol tentando influenciar a disputa eleitoral contra a vontade soberana do povo que irá às urnas em 5 de outubro", finaliza o sindicato, que é ligado à Central Única dos Trabalhadores (CUT).

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