Emendas devem manter ´essência´ do PAC, dizem deputados

Apesar das centenas de emendas apresentadas às medidas provisórias do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a expectativa majoritária dentro da Câmara dos Deputados é de que o PAC não será mutilado em sua essência, embora, deva receber modificações dos parlamentares. "É natural que haja aperfeiçoamentos, mas há uma clara disposição de se aprovar o PAC em consonância com o Executivo", disse o deputado federal e presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP). E a disposição do governo é claramente essa. "O governo não vai permitir que o PAC se torne uma colcha de retalhos. Vamos trabalhar para preservar a essência do programa", disse o líder do governo, deputado Beto Albuquerque (PSB-RS). Segundo informação da Agência Câmara, nesta sexta-feira, oito MPs do PAC receberam no total 728 emendas de parlamentares. A MP que mais recebeu emendas foi a que propõe a extinção da Rede Ferroviária Federal: 232 no total.O número elevado de emendas às medidas do programa é um indicativo de que o Congresso quer alterações ao PAC para então aprová-lo, o que pode atrasar as votações. O governo está disposto a discutir. Na próxima semana, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, irão ao Congresso prestar esclarecimentos sobre o PAC. Mas as discussões precisam ser resolvidas até 19 de março, dia em que as MPs começam a trancar a pauta. Aprovação rápidaEssa previsão de poucas mudanças, no entanto, está diretamente relacionada ao tempo para aprovar os projetos. Quanto mais rápido, aumentam as chances de preservar o programa, que, segundo Albuquerque, "precisa ser aprovado até o final do primeiro semestre, senão vai comprometer este ano". "Há muitos parlamentares novos, o que torna mais fácil aglutiná-los em torno dos projetos. É por isso que o governo tem pressa para avançar nas votações do PAC", disse o líder de um partido da base governista. "É claro que o governo vai trabalhar para aprovar isso o mais rápido possível, enquanto seu passivo com o Congresso é pequeno e os parlamentares novos ainda acreditam nele", afirmou o deputado Ricardo Barros (PP-PR), um recém convertido ao Lulismo e um dos articuladores da campanha de Chinaglia à Presidência da Câmara. RelatoriasA percepção de que a base está coesa e sólida nesse momento vai permitir que o presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), atribua, sem problemas, relatorias do PAC para a oposição, segundo um parlamentar próximo de Chinaglia. "As votações nessa semana mostram que a base está sólida. Não há por que temer que a oposição relate matérias do PAC, mesmo as mais polêmicas", disse o parlamentar. Durante a semana, o presidente disse que vai distribuir as relatorias respeitando a proporcionalidade dos partidos. "O ambiente político está favorável", sentenciou um governista.

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