Emendas da ala radical do PT são rejeitadas

Os moderados do PT derrotaram hoje, uma a uma, as emendas apresentadas pela ala mais radical do partido às diretrizes do programa de governo. O não-pagamento da dívida externa e a reestatização de empresas foram as emendas rejeitadas que provocaram mais polêmica. No momento dessas votações, os radicais gritavam "Fora FMI", enquanto o grupo mais moderado rebatia com "Brasil urgente, Lula presidente".O deputado Ivan Valente (SP), defensor da moratória, acusou a cúpula moderada de "querer chegar ao poder a todo custo para depois ver o que dá para fazer". E disse ao deputado Aloizio Mercadante (SP) que essa estratégia é que representa "voluntarismo e ingenuidade". Foi uma resposta ao parlamentar, que havia usado estas palavras para qualificar a tese de "calote".Valente observou que sem adotar posturas mais radicais, o partido corre o risco de iludir o eleitorado por não conseguir depois cumprir as promessas de campanha. O presidente nacional do PT, deputado José Dirceu (SP), frisou que o esboço do programa já era suficientemente ousado. Ele citou como exemplo a proposta de denunciar o acordo com o FMI, que juridicamente significa romper contrato, e realizar uma auditoria.Dirceu, Mercadante e o deputado José Genoíno (SP), os principais responsáveis pela defesa do texto original, afirmaram que rupturas radicais é que podem levar a um colapso administrativo. "Queremos romper a dependência do cassino financeiro generalizado, mas com uma proposta conseqüente, viável e que permita mudar o modelo econômico", disse Mercadante.Para o líder do PT no Senado, José Eduardo Dutra (SE), a reestatização proposta por facções radicais do partido, como a Força Socialista e a Articulação de Esquerda, "é um verdadeiro absurdo"."O que eles propõem quando falam em reestatização: expropriar as empresas ou comprá-las de volta?", perguntou ele. "Nós não vamos fazer nenhuma revolução", afirmou.

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