Ed Ferreira/Estadão
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Emendas criam atrito entre Cunha e o Planalto

Candidato à presidência da Câmara acusa governo de condicionar liberação de verba a apoio a petista; ministro diz que afirmação 'ofende o Congresso'

DAIENE CARDOSO, O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2015 | 02h05

BRASÍLIA - O candidato do PMDB à presidência da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), disse ontem que deputados novatos relataram ter recebido promessas do governo de liberação de emendas parlamentares em troca do apoio ao petista Arlindo Chinaglia (SP), adversário do peemedebista na disputa deste domingo.

Cunha voltou a criticar a "interferência indevida" do Palácio do Planalto no Legislativo. "Não é com ameaças e retaliações que você terá base para aprovar as medidas", disse. Para Cunha, falta "maturidade política" ao governo para compreender que a base aliada não opera na base da "ameaça". Como o voto é secreto, parlamentares pressionados tendem a trair, avaliou. "Quanto mais ameaça, mais os deputados ficam irritados."

De sua parte, Cunha disse que o PMDB só votará o Orçamento da União para 2015, que não foi ao plenário no ano passado, se houver garantias de que os novos parlamentares tenham direito a indicar emendas. O peemedebista tem um acordo com o relator do projeto, senador Romero Jucá (PMDB-RR), para reservar recursos para os 224 deputados que tomam posse no domingo e não tinham mandato antes.

Em nota, o ministro das Relações Institucionais, Pepe Vargas, disse considerar as acusações de Cunha "inoportunas" e parte da estratégia de campanha para a eleição da Câmara. "O governo não trabalha com ameaças nem compra deputados. Com esse tipo de declaração, o deputado ofende o Congresso Nacional. Se ele supõe que um deputado decida sua intenção de voto desta forma, ele na prática esta rebaixando o Parlamento", disse em nota.


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