Embraer poderá produzir caça Mirage

A francesa Dassault e a Embraer fecharam um acordo para produzir no Brasil a nova classe de aviões Mirage, caso a Força Aérea Brasileira (FAB) escolha este modelo para modernizar sua frota de caças. Além dos interesses comerciais do acordo - a Dassault faz parte de um consórcio francês que detém 20% da Embraer - a parceria pode ser um ponto a mais na disputa pelos contratos com o governo brasileiro.A FAB deve gastar US$ 3,35 bilhões em seu programa de modernização - o projeto Fênix -, sendo cerca de US$ 600 milhões só na compra de caças. "Tudo vai depender da quantidade de aviões encomendados, porque se forem poucos pode ser muito caro construí-los no Brasil. Mas se a parceria funcionar é possível até que a Embraer e a Dassault fabriquem aviões aqui para exportar para outros países", disse o vice-presidente internacional para a área de defesa da Dassault, Yves Robins.O executivo garante que, caso o negócio se concretize, os aviões serão efetivamente desenvolvidos e fabricados no Brasil. "Não vai ser só montagem", afirmou. Robins explicou que a FAB ainda vai apresentar às empresas de aviação as características exatas que o caça deve ter. "Vamos utilizar como base o Mirage 2000-5 Mk2, mas sobre ele vamos desenvolver o Mirage 2000 BR, que vai atender especificamente as necessidades do Brasil", explicou.O vice-presidente da Embraer, Romualdo Monteiro de Barros, confirmou a parceria com a Dassault, mas disse que ainda não está definido o índice de nacionalização destes aviões. "Uma das coisas mais importantes dessa parceria é a transferência de tecnologia, que vai permitir à Embraer conhecer completamente o Mirage", explicou.Outra companhia que disputa fornecimento de caças para o Brasil é uma joint-venture entre a empresa sueca Saab e a britânica BAE. A empresa produz o caça Gripen, que foi projetado sob encomenda para a Força Aérea da Suécia.O diretor de vendas e marketing do Gripen, Simon Carr, diz que trata-se de um avião completamente computadorizado e que pode ser adaptado para diferentes tipos de missões. "Além disso, o Gripen tem um custo de operação cerca de 40% inferior ao de seus similares", declarou.

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