Eraldo Peres/AP
Eraldo Peres/AP

Embaixador italiano discute caso Battisti em Roma

Gherardo La Francesa se reúne nesta segunda-feira com o ministro de Relações Exteriores da Itália

Agência Estado

12 de junho de 2011 | 13h33

O embaixador da Itália no Brasil, Gherardo La Francesca, deve se reunir amanhã (13), em Roma, com o ministro das Relações Exteriores do país, Franco Frattini. Na última sexta-feira (10), o diplomata foi convocado pelas autoridades italianas a deixar o Brasil para prestar consultas ao Ministério de Assuntos Exteriores. Em comunicado, o governo disse que ele deve prestar esclarecimentos sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de rejeitar a extradição e autorizar a libertação do ex-ativista político Cesare Battisti, de 56 anos.

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Até sexta-feira à noite, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil não havia sido informado oficialmente sobre a convocação do embaixador. Porém, diplomatas que acompanham o processo afirmaram que a convocação, apesar de motivada pela libertação de Battisti, tem o objetivo de prestar esclarecimentos técnicos e jurídicos sobre o caso. O governo da Itália indicou que pretende recorrer à Corte de Haia por discordar da decisão e considerar que houve desrespeito ao tratado de extradição em vigor com o Brasil. A data para entrada da ação ainda não foi definida.

A convocação do embaixador italiano foi informada publicamente em comunicado do Ministério de Assuntos Exteriores. A decisão tem caráter temporário e foi assinada por Frattini. "(O ministro das Relações Exteriores) Franco Frattini decidiu temporariamente convocar a Roma o embaixador em Brasília, Gherardo La Francesca, para consultas", diz o texto. "(A convocação do embaixador) Tem o objetivo de aprofundar, conjuntamente com as autoridades competentes, os aspectos técnicos e jurídicos relacionados com a aplicação de acordos bilaterais existentes, visando a iniciativas e recursos ante as instâncias judiciais internacionais", acrescenta o comunicado.

Em 1988, Battisti foi condenado na Itália, à revelia, por participação em quatro assassinatos cometidos nos anos 70. Para as autoridades italianas, ele é um criminoso comum. Porém, no Brasil, recebe o tratamento de perseguido político. Nos últimos quatro anos, Battisti ficou preso na Penitenciária da Papuda, em Brasília. Ele foi libertado no último dia 9 de madrugada. Os advogados informaram que ele pretende morar no Brasil e seguir a carreira de escritor. As informações são da Agência Brasil.

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