Embaixador dos EUA critica Fernando Henrique

O embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Cristóbal Orozco, criticou, nesta terça-feira, as declarações do presidente Fernando Henrique Cardoso, de que a luta contra o terrorismo não pode ser maior do que a combate à desigualdade e à pobreza.?O presidente Cardoso insinuou que os Estados Unidos não deveriam enfocar sua política externa exclusivamente no combate ao terrorismo, mas acredito que ele está correto apenas se estiver falando a médio e longo prazos?, disse.?Para nosso país, neste momento, é necessário, primeiro, enfrentar o terrorismo.? Orozco disse que só com a desarticulação de grupos terroristas internacionais, como a Al-Qaida, do saudita Osama bin Laden, se poderá retomar a estabilidade, o crescimento econômico, o controle da inflação e a erradicação da pobreza, ?como ele (Fernando Henrique) deseja?.O embaixador dos Estados Unidos foi um dos palestrantes do painel ?O Desafio do Combate ao Narcotráfico nas Américas?, durante a terceira assembléia-geral da Conferência Parlamentar das Américas (Copa), que termina nesta quarta-feira no Rio.Em sua exposição, o embaixador americano disse que as duas prioridades do governo dos Estados Unidos antes dos atentados de 11 de setembro eram, justamente, a implementação do Plano Colômbia e da Área de Livre Comércio das Américas (Alca).?Mas depois do 11 de setembro, essas prioridades mudaram. Com a morte de 6 mil pessoas inocentes, o combate ao terrorismo tomou o lugar mais alto da nossa lista de interesses?, afirmou ele, referindo-se às vítimas do desabamento do World Trade Center, em Nova York.Na cerimônia de abertura da Copa, na segunda-feira, Fernando Henrique defendeu, como fez em seus discursos na abertura da Assembléia-Geral da ONU e no Parlamento francês, uma ?globalização solidária?, que inclua a participação efetiva dos países em desenvolvimento nas grandes decisões políticas internacionais.Ele revelou que, depois dos atentados aos Estados Unidos, chegou a temer que a repressão ao terrorismo internacional pudesse dominar a agenda mundial e se sobrepusesse ao combate à miséria. Na ocasião, o presidente classificou a pobreza de ?imoral?.

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