Embaixador diz que MST é "fascista"

O embaixador do Brasil na Itália, Paulo Tarso Flecha de Lima, chamou hoje os integrantes do MST que invadiram sua fazenda em Uruana (MG) de "fascistas" e "baderneiros". A declaração foi feita à rádio Itatiaia, de Belo Horizonte, por telefone, de Roma. O embaixador, que ao dar a entrevista ainda não havia sido informado sobre a desocupação da propriedade, disse ter se sentido "vítima de um assalto à mão armada" ao saber da ofensiva do MST contra sua fazenda, considerada "uma das mais produtivas e ´modelo´ da região"."Lamento muito que isso esteja ocorrendo em um País que vive o Estado de Direito", disse. "Somos uma democracia, há maneiras legais e constitucionais para que as pessoas exprimam seus pontos de vista, não há necessidade de recorrer à violência e à truculência, como está sendo demonstrado por esses fascistas do MST", afirmou, ressaltando o caráter político da ação dos sem terra. Flecha de Lima elogiou a atuação da Polícia Militar de Minas."A polícia tem sido muito correta e competente, eles contiveram esses baderneiros sem nenhum incidente", ressaltou o embaixador, que também elogiou o governador Itamar Franco (PMDB) na condução do caso. Em relação ao confronto do último dia 25, quando os policiais evitaram que os sem-terra avançassem em direção à propriedade do embaixador, Flecha de Lima afirmou que não houve excesso dos militares, embora 17 trabalhadores tenham ficado feridos.Hoje à tarde, Itamar mandou sua assessoria comunicar aos órgãos de imprensa que o impasse em Uruana havia chegado ao fim e que, nesta quinta-feira, pela manhã, representantes do MST e do Incra teriam encontro, em Brasília. O governador estudava a possibilidade de ir à capital federal para acompanhar a reunião e, sem seguida, participar de uma manifestação popular pela criação da CPI da Corrupção, no Congresso.

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