Embaixador americano sugere parceria entre Brasil e Otan

Em discurso em São Paulo, diplomata afirma que organização militar procura ampliar parcerias

André Mascarenhas,

24 de agosto de 2007 | 17h43

Em discurso em São Paulo nesta sexta-feira, 24, o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Clifford Sobel, sugeriu que o País se torne um parceiro estratégico da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na América do Sul.  Leia mais sobre esse assunto na edição de sábado de O Estado de S.Paulo Falando para o Centro de Estudos Americanos da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), o diplomata explicou que o Brasil seria a ponta de lança para que outros países com os mesmos interesses dos Estados Unidos e da Europa na região unam esforços à organização militar.  Sobel explicou que o grupo formado pelos Estados Unidos e outros 25 países europeus, cujo objetivo inicial era manter a estabilidade da Europa em meio à Guerra Fria, trabalha atualmente na ampliação de suas parcerias em outras partes do mundo com o objetivo de "fornecer segurança" a essas regiões. "Não se trata mais apenas do que os Estados Unidos fazem com a Europa na Europa; trata-se do que os Estados Unidos e a Europa fazem juntos com outras democracias esclarecidas", disse Sobel. "A extraordinária expansão da participação da Otan no mundo está indo muito além de seu foco na Europa, é evidente hoje no Afeganistão, sob um mandato da ONU, e em muitas outras áreas geográficas, como na África e na Ásia."  Segundo o embaixador, a América do Sul estaria entre as regiões de interesse para essa expansão da Otan. Ele não especificou que tipo de atuação a organização teria no continente, mas fez questão de dizer que essas novas parcerias podem ir além das ações militares. Como exemplo, Sobel citou iniciativas da Otan para assistência humanitária, resposta a desastres, combate ao terrorismo e intercâmbio científico. Missões de paz Embora não tenha apresentado propostas concretas para uma eventual parceria, Sobel destacou o papel do País em recentes missões de paz no Timor Leste e Haiti. Para o embaixador, o Brasil tem vocação para liderar intervenções deste tipo. "No mundo atual, há países que fornecem segurança a outros e há aqueles que necessitam dessa segurança. Não há dúvida de que o Brasil se enquadra na primeira categoria", disse. Nesse sentido, o País se encaixaria dentro do programa Parceria Global da Otan, uma iniciativa "que lida com a necessidade cada vez maior de manutenção da paz em muitos lugares".  "Considerando o papel global do Brasil e sua liderança em fornecer segurança para outros países, talvez o Brasil possa abrir o caminho, aqui na América do Sul, para outras nações esclarecidas, talvez sob um mandato da ONU, para determinar como eles possam trabalhar com a Otan", exemplificou. (Colaborou Ruth Costas, do Estadão)

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