Embaixadas brasileiras vão negar visto de entrada para turista sexual

As embaixadas brasileiras no exterior vão ser orientadas a negar vistos para turistas que se dirigem ao Brasil atraídos pelo turismo sexual. A medida faz parte do pacote de ações do Ministério da Justiça e Direitos Humanos que integram o Programa Nacional de Prevenção e Combate ao Tráfico de Seres Humanos, lançado hoje na capital baiana, pelo ministro da Justiça Aloysio Nunes Ferreira e a secretaria nacional de Justiça Elizabeth Sussekind.Os dois se reuniram com representantes de várias organizações não-governamentais (ongs) que combatem o tráfico de meninas, o trabalho escravo e a discriminação de homossexuais, além do secretário estadual de Justiça Heraldo Rocha, para pedir a adesão ao programa."O tráfico de pessoas constitui hoje a terceira maior economia ilegal do mundo", disse Elizabeth, informando que anualmente esse comércio movimenta US$ 9 bilhões. "O início desse trabalho é exatamente admitir a existência desse problema e combatê-lo organizadamente com a ajuda de todos as entidades e órgãos envolvidos, montando um banco de informações e lutando pela tipificação do tráfico de seres humanos no Código Penal brasileiro".Segundo ela, o turismo sexual é um dos maiores fomentadores da prostituição infantil em todo o mundo. "É lamentável que anúncios no exterior já prometam meninas brasileiras nos seus pacotes, criando esse estereótipo", afirmou.O ministro Nunes Ferreira classificou de "medieval", o tráfico de mulheres e homossexuais brasileiros para o exterior, lembrando que no século 21 não se pode admitir práticas do século 16. "Hoje o tráfico que no passado era feito nos navios negreiros é realizado nos Boings 737", disse.Nunes Ferreira informou que o problema será enfrentado através de ações coordenadas pelo Ministério Público, as polícias federal e estadual e o Poder Judiciário. "Além disso precisamos sobretudo do envolvimento da sociedade civil através dos seus diversos órgãos e entidades que apoiam as vítimas dessa violência".Ele anunciou para os próximos dias a criação de um "Disque-Denúncia" para receber informações exclusivas sobre o tráfico de pessoas. O programa conta com o apoio do Centro das Nações Unidas para a Prevenção e o Combate ao Tráfico de Seres Humanos e da Agência Brasileira de Cooperação. Os recursos iniciais destinados ao programa chegam a US$ 400 mil.

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