Embaixada dos EUA reduz divulgação de discurso no RJ

Com discrição, a Embaixada dos Estados Unidos e o governo do Rio de Janeiro reduziram os esforços de divulgação do discurso de Barack Obama na capital fluminense, frustrando os brasileiros que esperavam ver e ouvir de perto as palavras do presidente americano.

BRUNO BOGHOSSIAN E MÁRCIA VIEIRA, Agência Estado

18 de março de 2011 | 18h56

Durante a semana, organizadores haviam espalhado cartazes pela cidade e usaram as redes sociais para tentar atrair espectadores para o evento "aberto e gratuito", com objetivo de evitar que a Cinelândia ficasse esvaziada no domingo. Apenas na tarde de hoje, horas depois da notícia de que o discurso seria feito para convidados no interior do Theatro Municipal, as autoridades passaram a informar o público sobre a mudança de planos.

Até as 14 horas, a página da Embaixada Americana no Facebook ainda convidava os brasileiros: "Venha dar as boas-vindas ao presidente Obama!". No mesmo espaço, usuários aproveitavam para expressar a decepção provocada pelo cancelamento.

O cancelamento do pronunciamento de Obama na Cinelândia desarticulou a caravana de alunos da Educafro, ONG que defende a política de cotas para negros nas universidades brasileiras. Dos nove ônibus que partiriam hoje de Minas e São Paulo, apenas um irá ao Rio. "Com o cancelamento do evento na Cinelândia a maioria desistiu de seguir para o Rio", explicou Frei Davi, criador da ONG. Além dos estudantes paulistas, outros jovens negros partirão da periferia do Rio em cinco ônibus.

Quem manteve a viagem terá a chance de entrar no Teatro Municipal. A Educafro recebeu convites para o teatro onde Obama fará seu discurso. Frei Davi só não revela quantos convites. "Recebi recomendação do consulado para não revelar o número". Além dos sorteados, que devem ser em torno de 30, outros dez alunos já têm lugar garantido. São jovens negros da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, que usarão camisetas escritas em inglês e português defendendo a política de cota usando o slogan de Obama na campanha, "Yes, we can".

Admirador de Obama, o bancário paulista Paulo César da Silva havia comprado passagens de avião de ida e volta para o Rio, apenas para assistir ao discurso do presidente americano, mas desistiu da viagem. Ao saber sobre o cancelamento do evento aberto, desistiu da viagem e reclamou da divulgação feita pelos organizadores.

"O mais frustrante é que fizeram uma grande divulgação na internet convidando a população para o evento, que seria aberto. Entendo o esquema de segurança necessário, mas então deveriam ter evitado criar essa expectativa", lamentou. "Se não vou poder acompanhar o discurso, prefiro ficar em São Paulo e ver pela televisão".

Com o cancelamento do discurso aberto, o cerco planejado para a Cinelândia foi parcialmente suspenso pelas equipes de segurança brasileiras e americanas. O metrô, que ficaria impedido de passar sob a região, poderá funcionar normalmente. O comércio também foi autorizado a abrir as portas, mas a interdição das ruas próximas ao Theatro Municipal foi mantida.

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