Beto Barata/PR
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Em Xangai, Serra minimiza críticas do Uruguai ao impeachment de Dilma

O governo de Montevidéu afirmou que processo foi 'profunda injustiça' com a destituição de uma líder 'eleita legitimamente pelo povo brasileiro'

Fernando Nakagawa e Cláudia Trevisan, enviados especiais, O Estado de S. Paulo

02 de setembro de 2016 | 08h53

XANGAI - O ministro das Relações Exteriores, José Serra, minimizou nesta sexta-feira,2, as críticas do Uruguai ao processo que levou ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e disse que o governo brasileiro está disposto a "esclarecer" eventuais questões apresentadas pelo país vizinho. Em nota divulgada na quinta-feira, o governo de Montevidéu classificou de "profunda injustiça" a destituição de uma líder "eleita legitimamente pelo povo brasileiro".

Segundo o chanceler, o presidente Michel Temer se reunirá com seu colega uruguaio, Tabaré Vázquez, durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, dentro de duas semanas e meia. Ao mesmo tempo em que adotou uma posição contemporizadora em relação a Montevidéu, Serra manteve o tom agressivo com a Venezuela. Segundo ele, a participação do país no Mercosul é um "faz de conta".

A Venezuela e o Equador retiraram seus embaixadores do Brasil em protesto contra a decisão do Senado de destituir Dilma. A Bolívia convocou seus embaixadores para consultas em La Paz. "Tenho certeza de que as nossas relações com o Uruguai andarão da melhor forma. Já não tenho (certeza) em relação à Venezuela", afirmou o chanceler na China, onde acompanha o presidente Michel Temer. Para ele, as posições do Equador e da Bolívia representam um "tiro no pé" dado pelos dois países. "Espero que eles tenham maturidade para inclusive aprender com a experiência democrática brasileira."

Perguntado sobre a repercussão negativa do impeachment de Dilma no exterior, Serra respondeu: "Quem não está no Brasil, está no exterior". O ministro observou que nenhum país de peso fora da América Latina manifestou insatisfação com o processo. "Tenho uma lista imensa de pedidos de audiência de outros países."

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