Em visita ao Senai, Dilma nega 'salto alto' em campanha

A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, descartou hoje o clima de "já ganhou" em sua campanha por conta das pesquisas de intenção de voto que apontam a possibilidade de vitória no primeiro turno. Em visita à unidade mais antiga do Senai em São Paulo, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aprendeu a profissão de torneiro mecânico em 1963, a petista disse que não pretende concentrar esforços em São Paulo e rechaçou o "salto alto". "Ninguém ganha eleição em pesquisa", justificou.

DAIENE CARDOSO E GUSTAVO URIBE, Agência Estado

23 de agosto de 2010 | 13h59

"Na minha campanha não tem clima de ''já ganhou'', porque quem dá o clima da minha campanha sou eu", disse bem-humorada. "Dizer que a minha campanha tem salto alto, não tem não, porque eu não tenho salto alto", emendou. Entretanto, a candidata teve um tratamento de chefe de Estado no local. A imprensa foi colocada pela assessoria de Dilma numa espécie de cercadinho (com grades de ferro), distante da petista. Num púlpito, a candidata respondeu às perguntas dos jornalistas. A entrevista foi concedida na calçada do Senai, uma vez que a legislação eleitoral impede entrevistas coletivas em instituições do gênero, alegou sua assessoria.

Após sua primeira experiência em cima de um caminhão de som na porta de fábrica em São Bernardo do Campo, diante de 6 mil trabalhadores da Mercedes-Benz, hoje às 5h30 da manhã, Dilma foi ao bairro do Brás conhecer a escola profissionalizante que formou Lula. Dilma foi recebida pela Orquestra Sinfônica do Senai de São Paulo ao som de "Trenzinho Caipira", de Heitor Villa-Lobos. A candidata percorreu as salas de aula da unidade que atende a 5 mil alunos e tirou fotos ao lado do torno mecânico utilizado pelo presidente Lula quando era aprendiz.

O deputado federal e um dos coordenadores da campanha de Dilma, José Eduardo Cardozo, fez coro à candidata e disse que o maior desafio da campanha é manter a linha propositiva. "Campanha com salto alto é campanha que tropeça", analisou. Para o coordenador, as pesquisas que dão vitória a Dilma servem apenas para "entusiasmar a militância". Ele negou também que a coligação já discuta distribuição de cargos no governo federal. "Não tem nenhuma conversa sobre cargos com ninguém", rebateu.

Cardozo ironizou a tentativa de o tucano José Serra colar sua imagem ao presidente Lula. "É curioso você ser oposição e passar anos e anos contra um governo, e na hora da campanha você quer construir a ideia de que é muito próximo dele (Lula)", comentou. O coordenador afirmou que não há nenhuma apreensão na campanha quanto ao surgimento de dossiês ou denúncias contra a candidata petista. "Nós apanhamos tanto que o nosso couro está curtido", afirmou.

Pedágios

Ao lado do candidato do PSB ao governo de São Paulo e presidente licenciado da Fiesp, Paulo Skaf, Dilma criticou o modelo de concessão de pedágios em São Paulo. "Sobre pedágios, temos de discutir sim. Tem dois modelos de pedágio: tem um, praticado em São Paulo, que é responsável pelos preços dos pedágios mais caros do mundo", afirmou ao reforçar a principal bandeira de campanha de Aloizio Mercadante, candidato do PT ao governo paulista.

Dilma explicou que o modelo defendido pelo governo federal é o que licita as concessões pelo menor preço, diferente do modelo que licita pela maior tarifa. "Tem o modelo que licita por menor tarifa, que é o nosso, e tem outro que licita pela maior tarifa, ou seja, quem paga mais. Por que por maior tarifa? Porque quem paga mais vai passar para o preço. Pagou mais para o governo do Estado de São Paulo, repassa para a tarifa. Na verdade, quem paga é o consumidor. Então, sou radicalmente contrária ao método aplicado aqui. Há uma proliferação de postos de pedágios, há 12 postos de pedágios numa rodovia de 300 quilômetros. É possível?", alfinetou.

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