Em visita ao Rio, Lula diz ser contra uso da máquina pública nas eleições

Presidente, que cancelou parte da agenda no RJ por causa das chuvas, deu entrevista às rádios

Jacqueline Farid, da Agência Estado

06 de abril de 2010 | 09h27

Em entrevista concedida a emissoras de rádio no hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que é contra o uso da máquina pública no processo eleitoral. "É preciso que sejamos definitivamente republicanos neste País, mostrar que é possível passar por um processo eleitoral sem usar a máquina (pública) como já ocorreu", afirmou Lula, que neste ano já foi multado duas vezes pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por propaganda eleitoral antecipada.

 

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https://www.estadao.com.br/estadao/novo/img/icones/mais_azul.gifÁudio da entrevista de Lula no Rio

 

Indagado sobre as punições que recebeu da Justiça Eleitoral, o presidente retrucou. "Não conheço o teor das multas, não li o processo. A primeira parece que foi por causa de uma inauguração de sede de sindicato, era um lugar particular e não público, eu falei que íamos ganhar as eleições e a TV mostrou a Dilma na hora, não tenho culpa disso. Mas é uma coisa que os advogados vão debater. O princípio básico da democracia é respeitar as instituições como o Judiciário e se eu for considerado culpado terei que pagar pelo erro que cometi."

 

O presidente Lula disse que na segunda-feira, 5, na reunião ministerial na Granja do Torto, orientou os ministros sobre como devem se comportar no processo eleitoral. "Minha prioridade é governar o Brasil, mas há momentos em que posso fazer campanha", disse, acrescentando que "a nossa boa governança é o melhor cabo eleitoral para um candidato". Ele disse ainda que ressaltou para os ministros que "temos nove meses para trabalhar mais do que em três anos, cada ministro a partir de agora tem que construir sua carreira, mostrar serviço".

 

Responsabilidade

 

O presidente disse que decidiu fazer o Plano de Aceleração do Crescimento 2 (PAC2) "por responsabilidade". Ele afirmou que "poderia ter deixado o PAC 2 para quem ganhasse as eleições". De acordo com o presidente, as obras do PAC não são pensadas apenas pelo governo federal, mas também por prefeitos que ainda tem dois anos de mandato e governadores que em muitos casos serão candidatos à reeleição.

 

"Fizemos o PAC 2 agora porque os projetos das obras levam tempo, há licenciamento prévio. Eu quis deixar uma carteira de projetos prontos para que quem entrar não ter que começar do zero com eu comecei em 2003, vai pegar a bola rolando". De acordo com o presidente Lula, "se quem ganhar (as eleições) não quiser continuar os projetos, vai jogar meio mandato fora".

 

O presidente disse que foi pego "de surpresa" com a emenda Ibsen Pinheiro, que trata da distribuição dos royalties de petróleo e retirou parte dos benefícios concedidos ao Rio de Janeiro. "Fizemos um acordo, estavam todos satisfeitos até que fomos pegos de surpresa com a emenda Ibsen Pinheiro, eu quero que o Senado resolva isso", disse ele.

 

Chuvas no Rio

 

Lula comentou também os estragos que estão sendo provocados pela chuva na capital fluminense desde o início da noite de segunda-feira e que levaram ao cancelamento de parte da agenda que teria hoje na cidade. "A humanidade não consegue controlar intempéries, quando chove 15 horas como tem ocorrido, os transtornos são grandes", disse. De acordo com o presidente Lula, "a única coisa que podemos fazer num momento como esse é pedir a Deus que pare um pouco a chuva para que a situação retorne à normalidade". Lula também fez um apelo para que "os patrões não cortem o dia" dos empregados que estão sendo orientados pela prefeitura do Rio a não saírem de casa por causa da chuva.

 

O presidente cancelou parte da agenda prevista para esta terça-feira, 6, no Rio de Janeiro, por causa da forte chuva que atinge a cidade. Lula, que está no Rio desde ontem, tinha participação prevista, a partir das 9h30, na inauguração de Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), creches e obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no Complexo do Alemão, na zona norte da cidade.

 

O restante da programação do presidente na capital fluminense, pelo menos até o momento, está mantida. Às 12h50, ele participa de reunião fechada no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para um balanço da política de desenvolvimento produtivo, na qual estarão presentes também os ministros Guido Mantega (Fazenda) e Miguel Jorge (Desenvolvimento). Às 15 horas, Lula participa de premiação da V Olimpíada da Matemática. A previsão é que o presidente embarque para São Paulo às 17h30.

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