Em visita à SIP, presidente peruano diz que o verdadeiro poder da imprensa é sua capacidade de dizer a verdade

Visita de Olanata Humalla à assembleia foi considerada 'muito positiva'

Gabriel Manzano, Enviado a Lima

17 de outubro de 2011 | 21h40

LIMA, PERU - Recebido com grande pompa e discursos elogiosos, num auditório superlotado, o presidente do Peru, Olanta Humalla, disse nesta segunda-feira, 17, na abertura oficial da 67ª Assembleia Geral da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), em Lima, que "a melhor maneira que vocês (a SIP) têm de colaborar com meu governo é fiscalizar". Mas, ponderou, "que digam sempre a verdade, porque o verdadeiro poder da imprensa é sua capacidade de dizer a verdade".

Humalla ficou menos de uma hora no salão, mas seus anfitriões consideraram a visita "muito positiva". A SIP não havia conseguido igual feito em assembleias anteriores na Venezuela e no Equador - mas teve sucesso na Bolívia, onde Evo Morales aceitou encontrá-los.

Cortês, falando de improviso, o presidente peruano cobrou as posições de alguns jornais peruanos que na eleição presidencial de julho passado haviam apoiado sua adversária, Keiko Fujimori. E, numa espécie de troco, afirmou: "Tenho passado instruções ao meu governo para que saibamos distinguir as paixões que as vezes ocorrem na imprensa". Ao terminar, sugeriu que "se deixe para trás esse passado de instabilidade".

Antes dele, o presidente da entidade, Gonzalo Marroquín, talvez em seu último discurso no cargo - nesta terça-feira, 18, toma posse o americano Milton Coleman - lembrou as "ferozes ditaduras" do passado e pediu a Humalla que "facilite e se aprofunde" nas leis peruanas contra os "abusos que se cometem contra jornalistas e contra a informação". "A imprensa é a mira (dos grupos autoritários), mas a vítima é a sociedade, que eles querem que não tenha o poder de saber e discernir", afirmou.

Ao final, as reações dentro da SIP foram de satisfação, mas também de dúvidas. "Foi muito bom ele ter vindo dialogar, mas temos de saber o que ele entende por verdade", disse ao Estado Gonzalo Marroquín. "Esperamos que não seja apenas o que o governo entende por verdade." O presidente do Instituto de Imprensa da SIP, Ricardo Trotti, fez reparos a uma frase de Humalla, a de que "a liberdade de imprensa é compatível com a democracia". Para ele, essa liberdade "é consubstancial e não se trata de achá-la compatível com uma coisa ou outra". Mas achou bom o seu discurso e o pedido do próprio presidente para que seja fiscalizado.

Conclusões. Nesta terça, último dia do encontro, sairão as resoluções finais da assembleia - 14 no total, uma delas sobre o Brasil. Nas outras, além de um resumo dos problemas e abusos em mais de 20 países, destaca-se o "Acordo de Lima", um documento a ser firmado pelas associações nacionais de jornais (como ANJ no Brasil, Adepe na Argentina, ANP no Chile). "A ideia é corporizar uma estratégia comum para várias tarefas, como convencer os governos a aceitar as decisões da Corte Interamericana de Direitos Humanos e de outros órgãos, a respeito da defesa da informação", explicou Ricardo Trotti.

 

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