Em visita a Obama, Lula defende ação global contra crise

Lula acredita que decisões políticas em conjunto, a serem tomadas no G20, podem mudar cenário

Débora Nogueira, do estadao.com.br,

14 de março de 2009 | 14h11

Luiz Inácio Lula da Silva e Barack Obama no Salão Oval, na Casa Branca, neste sábado. AP

 

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, saiu de reunião com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, confiante de que esforços globais contra a crise devem ser definidos durante a próxima reunião dos países do G20, que acontecerá no dia 02 de abril, em Londres. O presidente pediu ações "mais firmes" dos Estados Unidos contra a crise.

 

"A crise econômica pode se resolver com uma decisão política firme no G20", afirmou Lula. "O mais importante é restaurar a credibilidade de nossas sociedades no sistema financeiro". "Para tranquilizar os mercados e devolver a confiança aos cidadãos todos os lideres devem estar convencidos que têm de tomar decisões rápidas", completou. 

 

Após a conversa de cerca de uma hora, os presidentes fizeram uma rápida exposição à imprensa, antes de abrir uma rodada de perguntas. Obama primeiramente ressaltou a força que é feita para estreitar relações com países da América Latina e disse que espera visitar o Brasil.

 

Lula brincou que reza sempre por Obama e que "não gostaria de estar no lugar dele" por causa "do tamanho do pepino" que ele tem a enfrentar. Obama respondeu que Lula parece a esposa dele falando (Michelle Obama).

 

Obama ressaltou que não existem lados diferentes, nem posições diferentes sobre como resolver a crise, entre os países do G20. Ele afirmou que há unidade, e que os países estão decididos a agir para restabelecer o crédito.

 

A crise foi o principal assunto entre os chefes de Estado, junto com a cooperação no campo energético, os biocombustíveis, a pobreza e as relações bilaterais e dos Estados Unidos com toda a América Latina.

Obama disse ainda que os países devem ter confiança absoluta na solidez da economia norte-americana.

No setor energético, Obama disse que o Brasil mostrou uma "liderança incrível" na área do biocombustível e que admira os passos do governo brasileiro. "O Brasil tem feito investimentos há muito tempo.

 

Precisamos dobrar os esforços dos EUA para encontrar energia limpa dentro dos EUA. Queremos trocar ideias e aprender com o Brasil. Etanol é motivo de tensão entre os países e isso não vai mudar de um dia pro outro. Queremos o intercâmbio de ideias. Assim, aos poucos a tensão vai se resolver", afirmou Obama.

 

O líder americano prometeu "redobrar" os esforços de seu país em prol das energias limpas.

 

Líderes caminham após encontro no Salão Oval, na Casa Branca. Foto: EFE

 

Rodada de Doha

 

Lula voltou a defender a retomada da Rodada de Doha. "Todo país quer vender. Quer ter superávit comercial. Comércio exterior é uma via de duas mãos. Mas o protecionismo nesse momento só vai agravar a crise econômica. Se fecharmos as torneiras do comércio internacional estaremos tirando o peixe fora d´água. E vai faltar água. Temos que dinamizar nossas economias internas. É uma coisa muito prática. Espero que EUA e Brasil possam amadurecer, e que a gente possa chegar no dia 02 com uma solução para o mundo". Lula completou: "o sistema financeiro precisa de regulação. É inexorável".

 

Obama encerrou a conversa. "Eu sempre fui otimista. Tive uma visita maravilhosa e espero encontrá-lo no Brasil. Não sabemos ainda a data, mas tenho de dizer que como eu cresci no Havaí, eu acho muito importante ir ao Rio de Janeiro, onde soube que as praias são maravilhosas". "Gostaria de ir à Amazônia mas não sei quantos dias terei. Só sei que vou responder essa visita", concluiu.

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