Em Vigário Geral, esperança se volta para maior prédio d

Ao chegar na favela carioca deVigário Geral, uma grande construção ainda em obras chamaatenção por seu tamanho em meio aos barracos. O prédio é oCentro Cultural Wally Salomão, considerado o maior espaçodestinado à cultura dentro de uma favela em toda a AméricaLatina. Enquanto traficantes armados se posicionavam próximo aolocal numa aparente ronda de segurança nesta quarta-feira,crianças e jovens passavam a todo momento pelo edifício dequatro andares que abrigará um estúdio musical de últimageração, uma sala de cinema, biblioteca, cdteca, além dasoficinas artísticas do Grupo Cultural AfroReggae. Os moradores da favela, que ficou mundialmente conhecida em1993 pela chacina que deixou 21 mortos, agora voltam seus olhospara a maior construção da comunidade na esperança de que sejauma resposta à altura ao mundo do crime. "Se nós queremos atingir um pessoal que está na ociosidade,correndo o risco de seguir um caminho errado, nós temos queocupar todos os espaços", disse à Reuters Vitor Honofre,coordenador do Núcleo do Afroreggae em Vigário Geral, elepróprio ex-aluno das oficinas do grupo na favela. "Esse prédio será o primeiro que vai funcionar 24 horas pordia. Aqui vai haver atividade o tempo inteiro para atrairmosessa juventude durante a noite e a madrugada", acrescentou,durante visita ao local nesta quarta-feira. As obras do centro cultural --batizado em homenagem aoescritor morto em 2003 que foi um dos criadores do Afroreggaehá 15 anos-- começaram em 2002, com um empréstimo levantadojunto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico. Mas só em 2007 as construções decolaram, com recursosconseguidos através de apresentações das bandas do Afroreggae.Agora que a parte estrutural está praticamente pronta, o localreceberá 1,2 milhão de reais em patrocínio da Petrobras, paramontagem interna. O local terá tratamento visual do artista plástico LuizStein e será dirigido pelo antropólogo e produtor artísticoHermano Vianna, irmão do cantor Herbert Vianna. Por enquanto, o projeto mais adiantado é o estúdio musical,que segundo Hermano será um dos mais modernos do país. O localserá administrado em parceria com o DJ norte-americano Diplo,um dos maiores divulgadores do funk carioca no exterior. FAVELA E ASFALTO De acordo com Hermano, a intenção dos organizadores docentro é levar bandas e DJs nacionais e internacionais paragravarem e darem aulas dentro de Vigário Geral. "Nós queremos fazer desse centro cultural um local deconcentração artística não só para a comunidade de VigárioGeral, mas para toda a cidade do Rio de Janeiro. Queremosromper essa barreira de cidade dividida, asfalto e favela",disse Hermano à Reuters. Apesar da proposta de Hermano, dificilmente será possívelvisitar o local sem uma autorização prévia do Afroreggae, grupoque há 15 anos promove oficinas de arte para jovens em favelas. Durante a visita na quarta-feira com jornalistas,cuidadosamente acompanhados pelos organizadores, traficantesarmados com pistolas e fuzis foram vistos muito próximos aocentro cultural. Ainda assim, Vitor Honofre garante que nãohaverá problemas. "A comunidade com certeza está pronta para receber todos osvisitantes de braços abertos", disse ele.

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