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Em viagem a Seul, Dilma mostra proximidade com Mantega

Ministro cotado para permanecer no cargo foi o único da equipe atual a viajar com a presidente eleita nos dois trechos do trajeto

João Domingos, enviado especial de O Estado de S.Paulo,

09 de novembro de 2010 | 13h41

FRANKFURT - Já no processo de escolha de sua equipe econômica, a presidente eleita, Dilma Rousseff, aproveitou a viagem a Seul para dar uma mostra de que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, está muito prestigiado e poderá permanecer no cargo, como quer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 

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Mantega foi o único ministro da atual equipe a acompanhar Dilma nos dois trechos da viagem de São Paulo a Seul, e com ela permaneceu por mais de 24 horas, trocando ideias e confidências - se bem que interrompidas durante um certo tempo - sobre o atual governo e sobre o próximo. No primeiro trecho da viagem, de São Paulo a Frankfurt, pela TAM, Dilma e Mantega reservaram dois dos quatro lugares da primeira classe.

 

Seria a oportunidade para conversar o mais longamente possível sobre o futuro do governo e a reunião do G-20, que ocorre em Seul. Só que tiveram uma surpresa. Ao chegarem à primeira classe, encontraram um dos lugares ocupado por uma jornalista. Dilma reclamou: "Aqui é um lugar privado". Mas não havia o que fazer. Ela e Mantega ficaram posicionados do lado esquerdo, a repórter do lado direito. Entre eles ficou uma poltrona vazia. Mas, sem privacidade, Dilma preferiu dormir.

 

Assim que chegou à primeira classe, e que se viu sem a privacidade que pretendia ter, Dilma aconselhou os repórteres a tomarem um comprimido para dormir, porque a viagem seria longa, disse. Depois, falou de seu medo de avião. E lamentou não ter ao lado o presidente do PT, José Eduardo Dutra, que na campanha cantava músicas de sucesso para ela, o que a fazia relaxar.

 

"O Dutra é um grande cantor", disse a presidente eleita, lembrando que ele interpretara para ela de Cartola a Jerry Adriani. O próprio Dutra havia contado aos jornalistas que cantava para Dilma músicas de Noel Rosa, Clara Nunes, Elizeth Cardoso, Maria Bethânia, Mário Reis e outros. Foi então sugerido a Guido Mantega que assumisse o papel de cantor para relaxar a presidente eleita.

 

Guido, que em outros tempos foi o organizador do livro libertário "Sexo e Poder", pediu desculpas: "Eu não tenho esse dom". Em 1979, quando o PT ainda era um projeto de partido, Mantega coordenou, fez a introdução e escreveu o capítulo inicial de Sexo e Poder, editado pela Brasiliense, com direitos posteriormente cedidos ao Círculo do Livro.

 

Dilma, que visivelmente havia engordado durante a campanha, mostrou que está cuidando da saúde e fazendo severa dieta. Recusou todas as champanhes e outras bebidas nobres oferecidas a ela. Preferiu água. E, quando perguntada se para jantar queria filé de peixe, de frango ou de carne, preferiu frutas, três apenas: kiwi, uvas e melão. Mantega tomou sopa de espinafre.

 

Ao chegar a Frankfurt, Dilma lamentou o fato de não ter podido conversar mais sobre economia com Guido Mantega. Mas, na segunda fase da viagem, de Frankfurt a Seul, os dois puderam ficar sozinhos para as confabulações futuras e a montagem da equipe de governo, agora sem jornalista na poltrona ao lado.

 

Na cidade alemã, Dilma foi levada para uma sala reservada. Um pouco depois, saiu para esticar as pernas, porque teria mais de 10 horas pela frente. Durante o passeio, ela entrou na loja "Im Press Ed", que vende jornais, tabacos e doces. Deu uma olhada e saiu. Ao lado, foi à Gifts +++. Lá, comprou por 85 euros um bonequinho de um soldado alemão. Pagou com dinheiro que retirou da própria carteira.

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