JACEK TURCZYK/EFE
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Em Varsóvia, Temer insinua oposição ao retorno da CPMF

Questionado se continuava contrário ao retorno da contribuição ou se mudara de ideia, vice-presidente diz que sua posição já é conhecida

Andrei Netto, enviado especial, O Estado de S. Paulo

17 de setembro de 2015 | 10h58

VARSÓVIA - O vice-presidente Michel Temer insinuou nesta quinta-feira, 17, em Varsóvia, na Polônia, que continua contrário à recriação da CPMF, uma das principais medidas do plano para suprir o déficit fiscal de R$ 30 bilhões em 2016 apresentado pelo governo na segunda-feira, em Brasília. "Vocês conhecem a minha posição", afirmou, quando questionado pelo Estado. Temer disse ainda que na segunda-feira terá uma posição sobre o pacote de corte de gastos e aumento de impostos.

Há três semanas, o vice-presidente havia afirmado a uma plateia de empresários em São Paulo ser contrário à recriação de uma contribuição sobre movimentações financeiras. "Vocês conhecem a minha posição. Eu vou apenas ouvir um pouco o PMDB, ouvir a posição do congresso e conversar com a presidente naturalmente", afirmou Temer, completando: "O que eu quero é ajudar o Brasil".

A declaração indica que o vice-presidente manterá sua posição contrária, mas Temer se recusou a explicar sua resposta quando voltou a ser indagado. Para alimentar a ambiguidade de sua manifestação em Varsóvia, questionado sobre o que é necessário para aprovar o pacote de medidas o vice-presidente respondeu: "Boa vontade".

Em 31 de agosto, durante o 7º Fórum Exame, em São Paulo, Temer foi explícito em sua crítica ao retorno do imposto. "O que a sociedade não aplaude é o retorno repentino de um tributo, como ocorreu com a CPMF", afirmou. Em outro momento do seminário, ele reiterou: "Nós estamos em uma crise seríssima. Não vamos pensar em uma carga tributária muito elevada. Ninguém quer isso, ninguém suporta isso". 

Entretanto, na segunda-feira, 17, em Moscou, ministros que integravam a delegação brasileira, como Henrique Eduardo Alves, do Turismo, relataram o conteúdo da conversa telefônica entre Temer e Dilma Rousseff minutos antes do anúncio do pacote em Brasília. Pelo relato de Alves, confirmado pelo ministro da Secretaria dos Portos, Edinho Araújo, Temer ouviu os argumentos e teria aceitado os motivos alegados pela presidente. "Ele concordou com a argumentação que ela (Dilma) fez, com as motivações que ela apresentou. Ao chegar ao Brasil ele vai trabalhar para ajudar nessa relação com o poder Legislativo", disse Alves ao Estado.

Mudanças. Nesta quinta-feira, o governo sinalizou que pode recuar em três propostas do pacote anunciadas pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento para facilitar a aprovação no Congresso: a suspensão do reajuste do funcionalismo, o direcionamento das emendas parlamentares e a diminuição de recursos do Sistema S. Indagado sobre o recuo, Temer alegou não estar em contato com sua base e não estar informado sobre o tema. "Estou esperando chegar ao Brasil e exatamente a partir daí terei uma definição. Vocês podem me procurar na segunda-feira", disse ele.

Temer falou aos jornalistas por exatos 97 segundos na saída de uma reunião para assinatura de atos realizada no Ministério de Negócios Estrangeiros, em Varsóvia. Mais cedo, ele já havia cumprido intensa agenda oficial no país, com encontros com a primeiro-ministro polonesa, Ewa Kopacz, e com o presidente Andrzej Duda.

Essa foi a segunda etapa de sua viagem pela Europa, após a passagem por Moscou, onde se encontrou com o primeiro-ministro da Rússia, Dmitri Medvedev.

Em toda a viagem, Temer evitou conversar com os jornalistas brasileiros, argumentando que não queria se manifestar sobre temas correntes no Brasil, como a crise política e econômica e o pacote de cortes e aumento de impostos apresentado pelo ministros Joaquim Levy e Nelson Barbosa na segunda. Em todos os cinco dias de viagem, a mais longa entrevista que concedeu a jornalistas brasileiros foi de 98 segundos.


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