Marcos Correa/PR
Marcos Correa/PR

Em última reunião ministerial, presidente brinca com 'Fora Temer'

'Quando falava 'fora Temer', quer dizer que eu estava dentro. Agora, estarei fora mesmo', afirmou

Lu Aiko Otta, O Estado de S.Paulo

19 Dezembro 2018 | 12h47

Em seu balanço de governo feito durante a reunião ministerial encerrada na manhã desta quarta-feira, 19, no Palácio do Planalto, o presidente Michel Temer brincou com o 'Fora Temer'e elogiou os feitos de sua equipe. Ele também ressaltou o fato de haver feito duas intervenções em unidades da Federação, uma parcial no Rio de Janeiro e uma integral em Roraima, de forma negociada. Ele disse ter ouvido essa avaliação do ministro da Defesa, general Luna e Silva, que teria classificado o feito como extraordinário. "Isso se deve à nossa capacidade de diálogo".

Temer ressaltou que, fora a greve dos caminhoneiros, houve poucos protestos em seu governo. "Havia uma manifestação política que eu até vou sentir muita falta, do 'fora Temer'", disse. "Quando falava 'fora Temer', quer dizer que eu estava dentro. Agora, estarei fora mesmo." O presidente acusou "parte da imprensa" de tentar derrubá-lo.

Temer destacou também a recuperação da credibilidade do Brasil na cena internacional, ao elogiar o trabalho do chanceler Aloysio Nunes. Para o presidente, "basta ficar dois dias fora" do Brasil para retomar o otimismo em relação ao País. Na área de Educação, o presidente ressaltou a reforma do ensino médio. Falou também sobre a modernização das leis trabalhistas e da economia de recursos alcançada na pasta de saúde.

Falou também sobre o trabalho do ministro Moreira Franco primeiro à frente do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) e agora no Ministério de Minas e Energia. "Em pouco tempo, conseguimos realizar atos e mais atos que modernizaram o setor", disse.

O presidente citou também a retomada das obras de transposição do São Francisco, que foram retomadas com investimento de R$ 1,5 bilhão. Segundo Temer, foi possível concluir o Eixo Leste do empreendimento. Ele acrescentou que espera, até o fim do ano, acionar a chave para o funcionamento do Eixo Norte.

Outro gesto "ousado" do governo foi a criação da Secretaria de Segurança Nacional. Temer disse que foi aconselhado a não atuar nessa área, que é da competência dos Estados. Mas, na sua avaliação, o tema não só extrapola a esfera dos Estados, como também ultrapassa as fronteiras do País.

'Harmonia'

Temer ressaltou a harmonia com que sua equipe tem trabalhado. Como exemplo, citou a ausência de conflitos entre a Fazenda e o Planejamento, que são bastante comuns. Brincando, ele disse que o atual ministro do Planejamento, Esteves Colnago, é um "coitado", porque o titular da Fazenda, Eduardo Guardia, diz que não há recursos, mas o próprio presidente pressiona Colnago a liberá-los.

Segundo Temer, a habilidade do ministro das Cidades, Alexandre Baldy, e dos Transportes, Valter Casimiro, em lidar com demandas de parlamentares com a liberação de verbas ajudou o governo a manter uma relação pacífica com o Congresso Nacional.

O presidente agradeceu o trabalho dos comandantes militares. Ele contou que os procurou para pedir ajuda na contenção de rebeliões em presídios. Eles responderam que o presidente é o comandante supremo das Forças Armadas, e que eles fariam o que fosse pedido. Temer ressaltou a forma institucional com que o diálogo se deu. "A desinstitucionalização do País pode criar muitos problemas", alertou.

Outros feitos ressaltados por Temer foram a retomada do programa Minha Casa Minha Vida, a preservação do Bolsa Família, a liberação de R$ 44 bilhões de recursos do FGTS e mudança na remuneração do fundo, que permitiu depositar R$ 6,2 bilhões aos cotistas neste ano, a liberação dos recursos do PIS-Pasep.

Ele também falou sobre o fato de haver dobrado a área de preservação ambiental no País, o crescimento nas exportações do agronegócio. Temer disse que 16 de seus ministros serão aproveitados no governo de Jair Bolsonaro ou nos governos estaduais que assumirão no dia 1 de janeiro, o que mostra que se trata de uma equipe "vencedora". Ele notou, por exemplo, que Guardia está sendo disputado no mercado.

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