Em troca de quatro votos, senadores exigem mais por CPMF

Grupo de quatro senadores aceita negociar se governo ceder com verba maior para Estados e menor alíquota

João Domingos, do Estadão,

19 de novembro de 2007 | 19h34

O governo pode ser obrigado a ceder mais para aprovar a emenda constitucional que prorroga a CPMF. Um grupo de senadores da base e da oposição que votaria contrário ao imposto anunciou nesta segunda-feira, 19, que aceita negociar a CPMF. Mas faz mais exigências.  Entre elas, repartição maior da verba com Estados e municípios, transferência da verba que ficar com a União para a saúde e redução na alíquota maior do que a que foi proposta, 0,02% ao ano, até cair dos atuais 0,38% para 0,30% em 2011. Veja também:  Entenda a cobrança do imposto do cheque  Fim da CPMF será ruim para o Brasil, diz LulaPlanalto quer governadores tucanos na luta pela CPMF O grupo é formado pelos senadores José Nery (PSOL-PA), Expedido Jr (PR-RO), César Borges (PR-BA) e Cristovam Buarque (PDT-DF). Como o Palácio do Planalto ainda não tem a certeza de contar com os 49 votos necessários para aprovar a CPMF no Senado, a adesão dos quatro que exigem mais concessões por parte do governo poderia ser a garantia de prorrogação.  "Do jeito que está eu não voto a favor da CPMF", avisou Expedito Jr. "Se o governo negociar, na CPMF, e não cargos, como tem sido noticiado, posso conversar. Fora disso, meu voto é não", afirmou Expedito. O senador José Nery endossou seu colega de Rondônia. "O PSOL é contrário à CPMF do jeito que está. Mas, se forem feitas modificações, numa negociação com os senadores, tanto da base quanto da oposição, eu aceito sentar com o governo e tratar do assunto", disse Nery. "O dinheiro tem de ser destinado à saúde e tem de haver redução maior na alíquota", afirmou ele. O ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, tem reunião nesta segunda com o PR do Senado. Mas o encontro deverá ser frustrante, pois da bancada de quatro, somente dois - João Ribeiro (TO) e Magno Malta (ES) - devem comparecer.  Expedito Jr. e César Borges pretendem manter distância do Palácio do Planalto nestes dias que antecedem a votação da CPMF. "Disseram que eu mudaria meu voto, porque o governo estaria disposto a destinar R$ 470 milhões para Rondônia, para obras no meu Estado. Não mudo. Não trato de obras", disse Expedito.Depois de uma negociação frustrada com o PSDB, o governo cedeu ao PMDB e aceitou reduzir a alíquota da CPMF em 0,02% ao ano. Portanto, a partir do ano que vem o imposto passaria a ser de 0,36%; em 2009, 0,34%; em 2010, 0,32%; e, em 2011, 0,30%. Também ficou acertado com o PMDB que ficarão isentos do pagamento da CPMF todos os trabalhadores com renda mensal até R$ 2.894,00 por mês. 

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