Em texto sobre corrupção, Lula omite recentes escândalos

Em texto sobre corrupção, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta sexta-feira a reforma política e ressaltou a independência da Polícia Federal e da Controladoria Geral da União no desmantelamento de quadrilhas que lesavam os cofres públicos. Porém, o presidente não reconheceu a responsabilidade de petistas em irregularidades, insistindo que os crimes investigados atualmente pelos técnicos e agentes federais surgiram "muito antes do início do nosso governo".Lido numa solenidade da CGU num hotel de Brasília, o texto não faz referências aos escândalos de corrupção que atingiram o PT e o governo ao longo de 2005 e 2006, como o caso Waldomiro Diniz, o esquema do mensalão, o transporte de dólares na cueca de subalternos e as denúncias de lobby e tráfico de influência. A série de irregularidades resultou na queda de homens que tinham influência no governo Lula, como os ex-ministros José Dirceu, Antonio Palocci e Luiz Gushiken.Na avaliação de quem redigiu o discurso, o governo não interferiu nos trabalhos da CGU e da Polícia Federal nos últimos quatro anos. "Essas duas instituições ganharam prestígio, nacional e internacional, e receberam meios e recursos para travar uma luta tenaz contra a corrupção, empreendendo uma cruzada incessante contra esse crime, de forma absolutamente impessoal e republicana, sem qualquer interferência de caráter político-partidário."O discurso destaca que o governo traçou de maneira "inédita" uma política de combate sistemático à corrupção e às quadrilhas que "há muito atuavam na administração pública". Dados incluídos no discurso indicam que desde janeiro de 2003 foram realizadas 123 Operações Especiais da Polícia Federal, com o fim específico de combater a corrupção. As ações teriam resultado na prisão de 2097 pessoas, incluindo 825 servidores públicos. O texto foi lido pelo ministro Jorge Hage da Controladoria Geral da União, em comemoração ao Dia Internacional contra a Corrupção, data celebrada neste sábado pelas Nações Unidas. E defende uma reforma política, com a alteração constitucional que abrange "questões de fundo", como a fidelidade partidária e o financiamento público exclusivo de partidos e de campanhas. "Se tudo isso é de difícil alteração, não deve ser, porém, motivo para que não se procure avançar onde e até onde for possível", salienta o texto.

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