?Em tese, é um fato grave?, diz Bastos sobre a Kroll

O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, disse que a denúncia de que a empresa de investigações Kroll, contratada pela Brasil Telecom, teria espionado autoridades do governo, "em tese, é um fato grave, previsto na lei como crime". "Se houve escuta e interceptação telefônica ou via informática não autorizada, isso é crime nos termos da lei e é objeto de investigação", afirmou. Bastos lembrou que, no início deste ano, no curso de uma outra investigação, a Polícia Federal detectou indícios de atividades ilegais de investigações não autorizadas judicialmente. Segundo ele, em outra investigação da PF, iniciada em janeiro deste ano, foi detectada, em março, a investigação da Kroll. O diretor-geral da PF, Paulo Lacerda, determinou então a abertura de inquérito para apurar responsabilidades. Essa investigação, segundo o ministro, que corre sob segredo de Justiça, será levada até o fim. "O governo sabe desses fatos e está apurando isso para não fazer injustiça", afirmou. Segundo ele, já foram colhidos depoimentos e cumpridas diligências. "Esse é um inquérito que tem que ser feito com cuidado e delicadeza", observou. Ele disse que não conhece detalhes das investigações. Bastos afirmou ainda que, desde que assumiu o cargo, procura não chegar muito perto das investigações, para não despertar suspeitas de que possa estar influindo em seu andamento. "Só conheço o conteúdo do inquérito nas generalidades", afirmou. Ele informou que o inquérito apura não só a existência da investigação, mas também a sua autoria. "Só podemos falar quando terminar o inquérito", disse, no entanto, adiantando que, uma vez conhecido o resultado, o governo tomará as providências cabíveis.

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