Em tempos de crise, 'tudo parece construção e já é ruína'

Agenda Brasil é mais uma das ruínas políticas da segunda gestão Dilma Rousseff, um monumento à incapacidade da presidente de se firmar como uma eficiente articuladora política

Alberto Bombig, O Estado de S. Paulo

13 de outubro de 2015 | 07h50

SÃO PAULO - Com a velocidade e, principalmente, com a intensidade da crise política, prevalece hoje em Brasília a máxima sintetizada por um verso do compositor Caetano Veloso para descrever uma das facetas do País: "Aqui tudo parece que é ainda construção e já é ruína". 

Um exemplo é a tal Agenda Brasil, sugerida pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) e encampada pelo Planalto. A proposta é mais uma das ruínas políticas da segunda gestão Dilma Rousseff, um monumento à incapacidade da presidente de se firmar como uma eficiente articuladora política. Na outra mão, o fracasso da Agenda Brasil será uma lembrança destes tempos de fome por cargos e emendas das atuais legislaturas da Câmara e do Senado.

Se tudo continuar como está, ao lado da Agenda Brasil, também repousará no museu de ruínas do governo o programa Pátria Educadora, slogan pomposo lançado por Dilma no dia de sua segunda posse no Palácio do Planalto.

Em dez meses do atual mandato, a presidente já trocou três vezes o ministro da Educação, justamente em uma área na qual a continuidade das políticas públicas é apontada por todos os especialistas como essencial para o sucesso.

Em outros ministérios e setores estratégicos, a situação é semelhante, agravada pela mais recente reforma da Esplanada, forjada para tentar reconstruir a base de apoio de Dilma no Congresso e evitar o avanço de um pedido de impeachment. Curiosamente, o verso de Caetano está na canção Fora da Ordem, lançada em 1991, período de turbulência que precedeu o impeachment de Fernando Collor, ocorrido em 1992. Em Brasília, alguma coisa, de novo, está fora da ordem.

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