Em sua posse, Serra é crítico e destaca ´crise de valores´

Num auditório lotado - o plenário da Assembléia Legislativa de São Paulo possui 280 lugares - e durante nove minutos, o governador recém-empossado de São Paulo, José Serra (PSDB), foi crítico, abordou temas atuais e contou com frases fortes e recheadas de citações históricas e até poéticas. "Vivemos, no Brasil, um período de crise de valores. Não se trata de uma indisposição passageira ou de uma simples pane. Trata-se de uma crise mesmo", disse Serra, acrescentando que a crise tem caráter moral e prospera em uma economia onde faltam empregos e sobra estagnação. "Crise política que se alimenta da teimosa incoerência entre os discursos e as ações na vida pública."O governador afirmou que a "ineficiência crônica, a corrupção, o compadrio e o fisiologismo" desmoralizam a democracia. Segundo ele, apesar de ser uma instituição "invisível", a confiança do povo é posta à prova a cada dia. "Ser ético significa, entre outras coisas, evitar o loteamento de cargos, que traz ineficiência, estimula a corrupção e suas causas e conseqüências", enfatizou. Serra garantiu que o partido não fez loteamento no primeiro escalão, não está fazendo atualmente e nem fará no segundo escalão.O tucano disse também que chega ao governo acreditando numa situação responsável e uma oposição sadia e vigilante. "Meu governo vai procurar convencer, não cooptar. Vamos buscar a maioria para realizar um programa, não para viver o conforto de não ter adversários", afirmou. "A democracia supõe a existência de oposição", acrescentou.Ao abordar temas atuais, Serra destacou a exigência da competência administrativa, a cooperação entre os poderes e o diálogo com a sociedade, além da proximidade do governo com os municípios. "Exigem prioridade à segurança das pessoas que passa pelo enfrentamento do crime organizado." Em relação á economia, destacou a coordenação dos grandes investimentos em infra-estrutura para abrir oportunidades ao investimento privado e à geração de empregos.Participação no cenário nacionalSerra ressaltou ainda que não será indiferente às questões nacionais e acrescentou que assume o governo do Estado consciente da responsabilidade de São Paulo para o Brasil, citando que o Estado possui um quarto da população brasileira, um terço do PIB e mais de 40% da indústria. "Aqui são recolhidos até a metade dos principais tributos federais. Para que o Brasil vá bem, é preciso que São Paulo vá bem. Para que São Paulo vá bem, é preciso que o Brasil vá bem", disse.O tucano destacou ainda a participação histórica de São Paulo no cenário nacional, como a independência, proclamada às margens do rio Ipiranga, a Revolução de 30, a Constituição de 32, a resistência às ditaduras do século XX, a campanha das Diretas Já, citando nomes como José Bonifácio, Franco Montoro e Ulysses Guimarães. "São Paulo é a terra da liberdade. É a terra dos abolicionistas, dos caifases, de Luis Gama", comentou.Serra lembrou ainda frases famosas ditas por personalidades mundiais, como Winston Churchil, Pompeu Magno e Fernando Pessoa. E terminou seu discurso afirmando que criar é transformar, é inovar. "Não tenho medo do novo. Não há bom governo na história que não tenha ousado", disse ao final de seu discurso.Depois da posse, Serra seguiu em cortejo para o Palácio dos Bandeirantes, onde o governador Cláudio Lembo (PFL) transmite o cargo. Assim que chegou, o governador foi aplaudido rapidamente e a sessão solene de posse teve início no Plenário Juscelino Kubitschek, da Assembléia Legislativa. No Palácio dos Bandeirantes, a previsão do cerimonial é de que cerca de 2 mil pessoas prestigiem a solenidade.

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