Em SP, petistas e PMDB unidos nas nomeações

Partidos que formam espinha dorsal do governo montam consórcio para lotear cargos federais

Julia Duailibi, de O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2011 | 22h40

O PT e o PMDB, do vice-presidente Michel Temer, criaram um consórcio nas estruturas do Ministério da Agricultura e do Porto de Santos em São Paulo e implementaram revezamento em postos estratégicos, protagonizado por indicados das siglas.

 

Cargos de diretoria da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (Ceagesp), da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) foram divididos pelas legendas.

 

Aliados do ex-ministro da Agricultura Wagner Rossi (PMDB), que pediu demissão na quarta-feira, 17, ocuparam cargos estratégicos na Codesp, Conab e Ceagesp. E com o aval do PMDB petistas também foram indicados para postos-chave nos órgãos.

 

Ex-secretário executivo da Agricultura, Milton Ortolan já tinha no currículo passagens pela Conab e pela Codesp quando assumiu o posto neste ano - ele pediu demissão há dez dias, depois da revista Veja apontar ligação sua com o lobista Júlio Fróes.

 

Antes de migrar para o Ministério da Agricultura, Ortolan havia sido superintendente de Administração e Serviços da Codesp, indicado por Rossi. O ex-ministro fora presidente da companhia entre 1999 e 2000, no governo Fernando Henrique Cardoso, mas manteve influência no porto até 2007, quando o PSB assumiu a Secretaria de Portos.

 

Ortolan também o acompanhou na Conab, quando Rossi foi indicado presidente em 2007. Lá, ocupou a chefia de gabinete da companhia.

 

Outro com passagens pela Codesp e pela Ceagesp é Jamil Yatim, ligado ao PT de Jundiaí. Assim como Ortolan, ele foi superintendente de Administração e Serviços da Codesp. Em 2007, foi demitido do cargo. Com o aval de Ortolan, migrou para a Ceagesp. Ocupa atualmente o cargo de diretor administrativo financeiro da companhia.

 

Também próximo a Rossi, Amaury Pio Cunha é outro que acumula passagem pela Ceagesp, pela Conab e pela Codesp.

 

Atual integrante do Conselho Fiscal da Ceagesp, ele foi indicado por Rossi diretor de Gestão Administrativa e Financeira da Conab em 2009. Também ocupou a Diretoria de Administração e Finanças da Codesp em 1999, na gestão de Rossi. Em 2003, foi indicado para o cargo Mauro Marques, ligado ao PT.

 

Outro que também coleciona passagens pela Codesp e pela Ceagesp é o advogado Marco Polo del Nero Filho, ligado a Yatim.

 

Retaliação. Alvo da faxina promovida pela presidente Dilma Rousseff, o PMDB havia ameaçado retaliar o PT, que ocupa a maior parte dos cargos de direção da Ceagesp. O partido, que é presidido no Estado pelo deputado Baleia Rossi, filho do ex-ministro, mandara sinais para os petistas de que pretendia ampliar a influência na Ceagesp. Entre os petistas influentes na companhia estão o deputado João Paulo Cunha e o ministro Gilberto Carvalho, que é próximo do atual diretor-presidente da empresa, Mário Maurici.

 

Tudo o que sabemos sobre:
PTPMDBcargogoverno

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.