Em SP, Marina inaugura projeto de comitês domiciliares

Em seu primeiro dia de campanha eleitoral, a candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, deixou de lado caminhadas e comícios e optou por inaugurar uma "Casa de Marina", iniciativa do "Movimento Marina Silva" com o objetivo de transformar casas de eleitores em comitês mobilizadores nos bairros.

ANNE WARTH, Agência Estado

06 Julho 2010 | 18h21

A primeira casa é de Adriano Prado Costa Silva, promotor de vendas de 27 anos, que se surpreendeu com a notícia de que receberia Marina e seu vice, Guilherme Leal, em sua casa, em Campo Limpo, zona sul de São Paulo. Toda a família, além de amigos e outros parentes, se reuniu para receber a candidata, que chegou às 15h30.

Na casa, o avô, Manoel Gonçalves Prado, de 84 anos, cantou um trecho da música, "Marina" de Dorival Caymmi. Ele adaptou os versos "Marina, morena, Marina, você se pintou", uma vez que a candidata, alérgica, não usa maquiagem. "Marina você não se pintou", disse Manoel. Ao que Marina respondeu, descontraída: "Até porque estou feliz com a beleza que Deus me deu." Manoel, que não tem mais a obrigação de votar, disse que fará questão de votar em Marina.

Marina disse não haver metas para a inauguração de casas como essa. "Se nós colocarmos uma meta, vamos reduzir o processo e vai deixar de ser um movimento da sociedade. Queremos que a coisa seja autêntica", disse ela. "Temos metas em relação ao PV, à quantidade de cidades que eu gostaria de visitar, mas a sociedade, espontaneamente, se Deus quiser, vai extrapolar qualquer meta que nós fôssemos capazes de colocar."

Mobilização

O projeto "Casa de Marina" tem como objetivo tornar casas de eleitores em referência e local de encontro para mobilizar potenciais eleitores. "Vamos disponibilizar na internet o ''kit Casa de Marina'', com um conjunto de instruções sobre como fazer seu próprio material de campanha e orientações jurídicas sobre a atuação do local", explicou Marina. "O investimento é do próprio cidadão. Cada um copia a arte no site e faz sua camiseta, banner e adesivo. Também é uma forma de economizar recursos. Não tem o caráter de um comitê oficial de campanha, mas tem um veio mobilizador muito forte e rápido."

Na casa de Adriano, por exemplo, foi a própria família quem pagou a impressão de banners da campanha. "Em casa somos todos eleitores de Marina", disse ele. Adriano se filiou ao PV uma semana depois de Marina migrar para o partido. Antes, ele era militante do PT. "Eu estava desanimado com a política, mas voltei porque Marina é uma boa opção", disse ele.

Marina disse estar feliz com os últimos resultados de pesquisas eleitorais, nas quais aparece na faixa dos 10% das intenções de voto. "A partir de agora entraremos na disputa e o jogo está mudando. Já quebramos a eleição plebiscitária. Existem três candidaturas e isso, em si, já é uma grande conquista", afirmou.

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