Em SP, lançada ofensiva contra impunidade

Campanha, denominada ''''Cansei'''', é apartidária e será o carro-chefe de movimento que reúne empresários e advogados, entre outros profissionais

Fausto Macedo, O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2027 | 00h00

''''Cansei'''' - uma ofensiva contra a corrupção, impunidade, impostos, CPIs que não dão em nada, caos aéreo, bala perdida, burocracia e violência - entrou em cena ontem como carro-chefe do Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros, ao qual já declararam adesão milhares de empresários, advogados, industriais, banqueiros e profissionais liberais.A campanha foi lançada na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em São Paulo. ''''É uma mobilização apolítica e apartidária'''', declarou Luiz Flávio Borges D''''Urso, presidente da seccional paulista da OAB, um dos idealizadores da jornada que, a partir de hoje, ganha espaço na mídia.''''Não é um movimento contra o governo, nem contra ninguém, é a favor do Brasil'''', assinalou D''''Urso. ''''É um ato de cidadania, de indignação da sociedade civil pelo momento que estamos vivendo, uma mobilização sem padrinho, sem patrono, sem chefia, sem estrelas .''''''''É hora de o País despertar, a sociedade está muito distante, anestesiada'''', anotou Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo.As lideranças do movimento firmaram um pacto para que sua iniciativa não se transforme em manifesto de caráter político. ''''Não é contra esse ou aquele partido'''', destacou Burti. ''''Mas que serve de alerta aos poderes públicos.''''''''Cansei de gente que só quer levar vantagem'''', diz o cartaz empunhado por um personagem da campanha. ''''Cansei de empresários corruptores'''', diz outro. ''''Cansei de tanta corrupção'''', destaca um terceiro pôster. ''''Cansei de tanta impunidade'''', ressalta mais um. ''''Cansei de pagar tantos impostos.''''As peças de mídia não levam a assinatura de nenhuma agência ou produtora porque resultam de contribuição voluntária de publicitários, câmeras, fotógrafos, atores e produtores.Serão duas inserções na TV, uma de 30 segundos, outra de 60. A mensagem fecha com duas frases: ''''Cansei de achar tudo isso normal'''', ''''Cansei de não fazer nada''''.VALORESPara as lideranças que anunciaram apoio à campanha, ''''Cansei'''' pretende lembrar a população que cidadania não é algo que se exerce apenas pelo voto. ''''É um protesto sim, mas silencioso'''', observou Alencar Burti, que se insurge especialmente contra a alta carga tributária. ''''Ainda é tempo de o brasileiro abrir os olhos para a sua importância e resgatar valores esquecidos diante da omissão das instituições. É preciso dar um basta nesse estado de coisas, na inércia.''''A meta principal do movimento tem dia e hora marcada - 17 de agosto, quando vai completar um mês da tragédia do Airbus A-320 da TAM. Às 13 horas desse dia, as lideranças empenhadas na campanha vão promover grande concentração em frente ao edifício da TAM Express, que o Airbus transformou em ruínas na tarde de 17 de julho. ''''Fatalidades podem acontecer, o que não se pode aceitar é que durante mais de um ano o governo foi alertado sobre a precariedade do sistema e o apagão aéreo. Perdi amigos na tragédia. Os homens públicos não podem ser assim tão insensíveis. Se não cobrarmos o que será dos nossos filhos e netos?'''', questiona Burti.Embora apartidária, a articulação mira ''''as CPIs que nunca dão em nada'''' e a corrupção na administração pública. ''''Mudanças nas leis e pressão para que o governo mude de atitude serão um desdobramento do Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros'''', afirmou D''''Urso.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.