Márcio Fernandes/AE
Márcio Fernandes/AE

Em solidariedade a Dirceu, amigos vão acompanhar julgamento na casa do petista

Ex-ministro da Casa Civil faz reunião em salão de festas de seu apartamento em São Paulo para acompanhar sessão

Atualizado em 06.09, Isadora Peron - O Estado de S. Paulo

05 de setembro de 2013 | 15h51

O clima não foi de velório, tampouco de festa, apesar das bandejas de salgadinhos que circularam ontem pelo salão do prédio do ex-ministro José Dirceu, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo. Ao lado de cerca de 50 pessoas, entre parentes, amigos e colegas de militância, o petista assistiu à sessão do julgamento do mensalão que poderia ter sido a última. Não foi. O Supremo Tribunal Federal adiou para a próxima semana a definição sobre se julgará ou não os embargos infringentes dos réus, questão que pode levar a um segundo julgamento dos condenados pela Corte.

O convescote foi organizado para demonstrar apoio e solidariedade ao ex-ministro, já que a Procuradoria-Geral da República poderia ter pedido a prisão imediata dos condenados ontem, caso os ministros do Supremo tivessem finalizado a análise de recursos dos réus.

A colunista Hildegard Angel registrou em seu blog que o clima dentro do salão de festas era "fraterno" e que participaram do encontro apenas "amigos selecionados" e "leais".

Estavam lá duas filhas de Dirceu e três ex-mulheres, além do cineasta Luiz Carlos Barreto, o escritor Fernando Morais e o presidente nacional da CUT, Vagner Freitas.

Os petistas também marcaram presença, entre eles o ex-prefeito de Osasco Emídio de Souza, o deputado estadual Adriano Diogo e integrantes da juventude da sigla. O presidente nacional do PT, Rui Falcão, telefonou para Dirceu e disse que, se estivesse em São Paulo, também teria ido ao prédio da Rua Estado de Israel.

Completaram a lista os companheiros de 1968, que lutaram ao lado de Dirceu contra a ditadura militar, representantes da União Nacional dos Estudantes (UNE) e militantes de outros movimentos sociais.

Para o cineasta Luiz Carlos Barreto, apesar de Dirceu deixar transparecer um pouco de tensão, não houve clima ruim no ar. "Não tem clima de velório, embora estejamos assistindo a um assassinato político, não a um julgamento", afirmou.

Segundo Barreto, o "grande crime" de Dirceu foi "ter conseguido eleger um operário para presidente da República", em referência ao fato de o petista ter sido peça fundamental na eleição de Luiz Inácio Lula da Silva para a Presidência em 2002.

Fernando Morais resumiu a tarde de ontem como "tranquila". O escritor afirmou ainda que se surpreendeu com a quantidade de pessoas presentes: "O negócio foi organizado de ontem para hoje. Veio muita gente". Ele contou ainda que Dirceu assistiu à sessão, projetada numa das paredes do salão de festas, em silêncio, sem fazer comentários sobre a decisão dos ministros.

Morais também saiu em defesa do amigo. Classificou Dirceu como um "cabra marcado para morrer" e reforçou a tese de que houve um julgamento político contra o PT, amplamente difundida pelos réus do mensalão.

Ele, no entanto, diz que sempre foi pessimista em relação ao resultado do julgamento. "Eu, ao contrário de muitas pessoas que cercam Dirceu, sempre fui muito pessimista. Não porque atribua gravidade aos delitos - porque houve delitos, claro. Acho que o que foi cometido foi crime eleitoral, coisa que todo mundo faz. Do vereador de Caputira ao presidente da República, quem falar que contabiliza todos os gastos de campanha está debochando das pessoas."

A tese de que houve uso de "recursos não contabilizados" na campanha, conhecido como caixa 2, mas não a compra de votos no Congresso em troca de apoio ao governo Lula foi sustentada durante o julgamento por boa parte dos advogados de defesa dos condenados.

Prisão. O pessimismo de Fernando Morais é compartilhado por Dirceu. Ele tem dito aos mais próximos que não acredita numa resposta positiva da Corte em relação aos embargos infringentes e já tem se preparado para ir para a cadeia.

Conforme revelou anteontem o Estado, Dirceu tem feito cálculos de quanto tempo ficará preso. Condenado a 10 anos e 10 meses de detenção por comandar o esquema, o ex-ministro tem feito a seguinte análise: vai pedir progressão de regime para o semiaberto - em que é obrigado a apenas dormir na cadeia - após cumprir um sexto da pena; ao mesmo tempo, quer cortar mais seis meses trabalhando: fala em cozinhar e lavar roupa na prisão. / Colaborou Márcio Fernandes

 

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