Em sigilo, sem-terra ocuparam sete fazendas no interior de Sergipe

As lideranças do Movimento Sem Terra (MST) em Sergipe anunciaram hoje que 1.216 famílias de trabalhadores rurais sem-terra ocuparam sete fazendas em cinco municípios do interior do Estado. As ocupações ocorreram na semana passada, mas foram feitas sob absoluto sigilo. O MST teme uma ação da Polícia Militar sergipana que, segundo do diretor estadual da entidade, Esmeraldo Leal, tem agido com truculência durante os cumprimentos de reintegração de posse determinados pela Justiça. Ele assegura que na próxima semana as ocupações devem continuar.O MST acompanha uma mobilização da entidade em todo o país, que tem como objetivo reivindicar a implantação do Plano Nacional de Reforma Agrária, o assentamento de todas as famílias acampadas - em Sergipe são 12 mil -, liberação imediata de custeio para as famílias assentadas e lembrar do massacre em Eldorado dos Carajás, ocorrido em 17 de abril de 1996, no Pará, quando 19 sem-terra foram mortos em confronto com a polícia.As ocupações em Sergipe têm sido acompanhadas pela superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). O superintendente, Carlos Fontenelle, disse que até o momento não houve confronto entre trabalhadores e fazendeiros. "Em Sergipe há uma tradição de não violência nas ocupações. Mas claro que estamos sempre preocupados, porque os proprietários das fazendas estão recorrendo à Justiça, que já expediu dois mandados de reintegração de posse, para uma fazenda em Boquim e outra em Poço Redondo", explicou Fontenelle.Ele disse, ainda, que o governo federal enviou para Sergipe, este ano, uma verba de R$ 15 milhões. Este dinheiro será aplicado em assentamentos e pagamento de indenizações. "O dinheiro está disponível e o presidente Lula garantiu mais recursos para o Estado, ainda este ano, mas o valor está sendo discutido", afirmou Fontenelle.Foram ocupadas pelo MST, as fazendas Lagoa do Bom Nome e Riachão, em Nossa Senhora da Glória; Riacho Largo, em Poço Redondo; Taipu, em Indiaroba; Forte, em Estância; Garangau, em Boquim; e Santa Rita, em Canindé do São Francisco.

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