Em sigilo, Marta, Serra e Palocci se encontram em Brasília

Cercados de sigilo, sem dar declarações à imprensa e tampouco aparecer em público, a prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, e o prefeito eleito, José Serra, estiveram nesta terça-feira em Brasília para discutir com o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, aspectos da difícil situação financeira do município. O encontro entre os três faz parte do processo de transição na prefeitura. "A prefeita quer uma transição civilizada", comentou uma fonte do governo ao lembrar que Marta e Serra, durante todo o período de campanha eleitoral, tiveram um relacionamento difícil.O encontro ocorreu a pedido da prefeita, durante a noite, em um local não revelado. Ele foi motivado por um problema que aparecia em todas as discussões entre as equipes de transição: "Isso é com o Palocci", repetiam os técnicos a cada pergunta do grupo do prefeito eleito. Neste caso estariam, por exemplo, questões como os repasses das verbas para o Sistema Unificado de Saúde (SUS). De acordo com esta fonte, não seria tratada a renegociação da dívida municipal.O próprio presidente Lula, em conversa com jornalistas na semana passada, disse que não há negociação de dívida, mas admitiu que a cidade de São Paulo "tem que ser olhada com um carinho diferente". "São Paulo não pode ser olhada como uma cidade, tem problemas de milhões de pessoas de toda parte do País que não são paulistas", disse o presidente. "Vamos dar o tratamento que for possível dar", sem especificar quais medidas serão adotadas. Uma possibilidade, informou um interlocutor de Serra, poderia ser o alongamento da dívida como forma de aliviar o caixa da prefeitura.As assessorias de Marta, do prefeito eleito e do Ministério da Fazenda negaram-se a dar informações. Os assessores de Serra afirmavam que sequer sabiam da viagem e depois diziam que perderam o contato com o prefeito eleito. Marta embarcou para Brasília por volta das 15 horas, e Serra teria partido às 17h15, mas depois não foi visto no setor de desembarque do aeroporto de Brasília. O encontro também não estava previsto nem na agenda da prefeita nem na de Palocci.São Paulo tem hoje uma dívida de cerca de R$ 27 bilhões, o que equivale a cerca de 233% da arrecadação do município. Para se adequar às normas da Lei de Responsabilidade Fiscal, a cidade terá de reduzir esse endividamento para 178% até maio. Em novembro, Marta pediu o adiamento do prazo para a prefeitura pagar cerca de R$ 7 bilhões que teria de quitar no final de abril do ano que vem para reduzir seu nível de endividamento.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.