Em sessão presidida por Renan, Virgílio pede seu afastamento

PSDB defende saída até investigações acabarem, mas ele diz que não´arreda o pé´

Agencia Estado

04 de julho de 2007 | 17h24

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), pediu nesta terça-feira, 3, na sessão plenária presidida pelo senador Renan Calheiros (PMDB-AL), o seu afastamento da presidência da casa até que as investigações contra ele sejam concluídas. Renan, imediatamente, respondeu: "Não pratiquei ingerência indevida e devo permanecer na presidência mesmo que contrarie apetites da política de ocasião".Arthur Virgílio protelou sua fala sobre a decisão do PSDB até que Renan Calheiros assumisse a presidência da sessão. "O PSDB vem a sugerir que o senhor se afaste da presidência do Congresso até a conclusão definitiva das investigações", afirmou ele, dirigindo-se a Renan.Virgílio explicou que, afastado do cargo, Renan Calheiros teria a possibilidade de realizar a ampla defesa de sua biografia. "O julgamento precisa ter dois pressupostos: amplíssimo direito de defesa e amplíssima investigação sobre os fatos".Ele fez a ressalva de que não era com agrado nem prazer que o PSDB sugeriu a Renan tal caminho.Renan, então, leu uma resposta ao pedido de Arthur Virgílio. Ele abriu sua fala acrescentando que não estava movido pelo sentido "desarvorado da teimosia". Disse que, mesmo divergindo frontalmente, tem respeito pelas instituições democráticas.Afirmou que não iria "sucumbir a pseudo clamores", o que seria, segundo ele, "ato incompatível com da coragem e honradez que devem pautar os homens públicos.Afirmou ainda já ter comprovado sua inocência, mesmo com a inversão do ônus da prova."Não pratiquei ingerência indevida e devo permanecer na presidência mesmo que contrarie apetites da política de ocasião", concluiu.Não arredo o pé Mais cedo, perguntado sobre a saída do cargo, Renan voltou a afirmar que não deixará a presidência do Senado. "Jamais. Eu não arredarei o pé da presidência. Luto e vou responder absolutamente tudo que houver e, como não há nada, isso é uma coisa fácil. Não há nenhuma acusação formal contra mim", afirmou o senador a jornalistas. Renan Calheiros negou que o Senado viva uma crise por conta das denúncias de que ele teria despesas pessoais pagas com dinheiro de um dirigente da empreiteira Mendes Júnior. "Não há crise na instituição. O Senado tem deliberado até mais do que a média, e vamos continuar deliberando", garantiu.

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