Em semana decisiva, Renan pode enfrentar quarto processo

Presidente do Senado pode ter que explicar suposto esquema de recebimento de propina

03 de setembro de 2007 | 13h29

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), vai enfrentar uma semana decisiva. Além de entregar sua defesa sobre o caso Schincariol na terça e passar pela votação do relatório que pede sua cassação na quarta, ele pode ter que explicar uma nova denúncia, o quarto processo, sobre suposto esquema de recebimento de propina. Veja também: Denúncias contra Renan abrem três frentes de investigação Cronologia do caso RenanNova denúncia: Renan tem de explicar propinas   Segundo reportagem do Jornal da Tarde, o esquema teria a participação de integrantes do PMDB. Em entrevista à revista Época, o advogado Bruno de Miranda Lins, ex-marido da assessora parlamentar de Renan e afilhado de casamento do senador, disse que o ex-sogro, o empresário Luiz Carlos Garcia Coelho, operava um esquema de arrecadação de dinheiro para o presidente do Senado em ministérios chefiados pelo PMDB.  O advogado contou que ele próprio buscou dinheiro de suposta propina por, pelo menos, seis vezes. Em uma delas, segundo declarou, carregou em uma sacola R$ 3 milhões, que seriam do BMG. Autor de duas das três representações contra Renan, o  PSOL deve discutir nesta terça pela manhã se entra ou não com um novo processo contra Renan. Segundo a assessoria de imprensa do partido, é "muito provável" que o PSOL entre com o quarto pedido de investigação sobre o senador.  O DEM também  vai analisar se entra com nova representação contra Renan no Conselho de Ética. "É mais um capítulo no emaranhado que parece não ter fim, mas que precisa acabar pelo voto", afirmou o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia.  "A situação de Renan passou dos limites", disse o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). O corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), anunciou que vai convidar Bruno de Miranda a depor no Senado. Vai ainda consultar a Polícia Federal sobre o inquérito e pedir cópia da documentação que está sendo investigada.     Processos Renan já responde a três processos no Conselho de Ética. Ele é acusado de ter despesas pessoais pagas pelo lobista de uma empreiteira, de usar laranjas na compra de rádios e jornais em Alagoas e de ter ajudado a cervejaria a Schincariol a obter favores do governo. Na terça-feira, acaba o prazo para a entrega de sua defesa no Conselho de Ética, sobre o suposto favorecimento à cervejaria Schincariol. Na quarta-feira, o conselho votará o relatório de Marisa Serrano (PSDB) e Renato Casagrande (PSB), dois dos três relatores do primeiro caso envolvendo o presidente do Senado. Segundo o documento, Renan teria mentido em sua defesa e quebrou decoro parlamentar. A votação começou na última quinta-feira, mas foi adiada após pedido de vista dos senadores Wellington Salgados e Gilvan Borges, ambos do PMDB. Para a oposição, o adiamento da votação foi mais uma manobra dos aliados do presidente do Senado.     Defesa de Renan  No último sábado, Renan divulgou uma nota à imprensa classificando como "falso, fruto de imaginação e má-fé" fato a ele atribuído em reportagem publicada pela Veja em sua última edição.  Confira a nota na íntegra:  NOTA À IMPRENSA A matéria, requentada, publicada nos jornais e revistas deste fim de semana, relatando declarações à Polícia Civil de Brasília, prestadas pelo Sr. Bruno de Miranda Lins, envolvendo meu nome, trata-se de um depoimento feito no curso de uma separação litigiosa de uma funcionária do meu Gabinete.  A Justiça não deu nenhum valor jurídico ao assunto, por tratar-se de visível expediente de provocar escândalo e pressões processuais sobre pessoas que nada têm a ver com briga de casais. O fato a mim atribuído é inteiramente falso, fruto de imaginação e má-fé. Senador Renan Calheiros Texto atualizado às 16h20 (Com Agência Senado)

Tudo o que sabemos sobre:
Caso Renan

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.