Nacho Doce/Reuters
Nacho Doce/Reuters

Em São Paulo, manifestação contra cortes na Educação evita ‘Lula Livre’

Protestos não contaram com a participação formal dos partidos de oposição, mas foram convocados por entidades estudantis

Pedro Venceslau e Isabela Palhares, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2019 | 19h31
Atualizado 31 de maio de 2019 | 10h07

A manifestação contra os cortes na Educação realizada no Largo da Batata, em São Paulo, nesta quinta-feira, 30, reuniu no início da tarde um número menor de pessoas em relação ao ato do dia 15, mas tomou corpo no início da noite. Os protestos não contaram com a participação formal dos partidos de oposição, mas foram convocados por entidades estudantis como a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes).

Os manifestantes ocuparam parte do Largo da Batata e pelo menos uma quadra da Avenida Faria Lima. À noite, o ato chegou a fechar por mais de uma hora as duas pistas da Avenida Paulista e da Avenida Rebouças até dispersar por volta das 21h30. Os organizadores calculam presença de 300 mil pessoas no ato, de acordo com a presidente da UNE Marianna Dias. 

Ela convocou os manifestantes para uma greve geral no próximo dia 14. “A gente avalia que a manifestação do dia 26 (pró-governo) foi significativa, mas não queremos comparar os dias 15, 26 e 30. São propostas diferentes. Não queremos briga de torcida”, afirma Marianna.

Segundo ela, a manifestação de hoje foi “tão vitoriosa” quanto a do dia 15. A presidente da UNE disse, ainda, que o mote ‘Fora (Jair) Bolsonaro’ por ora está fora de cogitação e o ‘Lula Livre’ não é o centro da manifestação.

A adesão menor em relação à manifestação anterior já era esperada pelos organizadores, segundo revelou reportagem do Estado publicada nesta quinta-feira. Entre os manifestantes, muitos usavam camisetas com a imagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a inscrição ‘Lula Livre’, mas esse tema ficou fora da maioria dos discursos e também dos carros de som.

“Isso é uma manifestação dos estudantes, não precisa ter o tema do ‘Lula Livre’ nem a participação de partidos”, disse o metalúrgico aposentado Joelson Miranda, 63, que vestia uma camiseta vermelha com a imagem de Lula os dizeres ‘Lula Livre’. “O Lula Livre está no rosto das pessoas, mas não é o centro do ato”, afirmou a presidente da UNE.

Uma das poucas parlamentares presentes, a deputada estadual Maria Isabel Noronha (PT), presidente licenciada do Sindicato dos Professores da Rede Estadual (Apeoesp), fez um discurso no qual destacou o protagonismo dos estudantes.

“O presidente não entende o valor da educação. Por isso tantos cortes e ataques a nós, estudantes e professores. Nós vamos mostrar a eles a importância que temos porque vai ser a maior crise que ele vai enfrentar”, disse a parlamentar em seu discurso.

“Isso é uma manifestação dos estudantes, não precisa ter o tema do ‘Lula Livre’ nem a participação de partidos”, disse o metalúrgico aposentado Joelson Miranda, 63, que vestia uma camiseta vermelha com a imagem de Lula os dizeres ‘Lula Livre’. “O Lula Livre está no rosto das pessoas, mas não é o centro do ato”, afirmou a presidente da UNE.

'Como podem cortar mais verba’, afirma estudante

Estudante de Fonoaudiologia, na Unifesp, Isabella Guedes, de 19 anos, disse ter vindo à manifestação por ter medo de não concluir a graduação que iniciou neste ano com o congelamento do orçamento da Universidade. “Já faltam coisas básicas no campus, de materiais a professores. Como podem cortar ainda mais verba?”, questiona.

As irmãs Sarah e Grace Yitzhak, de 23 e 24 anos, vieram juntas ao protesto porque mesmo em momentos diferentes da vida escolar, ambas temem que a política atual para a Educação as impeça de estudar. Sarah estuda para fazer o Enem no fim do ano e quer cursar Filosofia. “Há tenta insegurança na educação que não sei nem ao menos se teremos Enem neste ano”, diz.

Já Grace está no último ano do curso de Química, na Unifesp, e diz temer não conseguir terminar a graduação neste ano. “Com o bloqueio do orçamento, a Universidade só tem dinheiro para funcionar ate setembro. Depois disso como ficam os estudantes?”

Médica residente da USP, Thais Fink, de 29 anos, diz que o bloqueio de recursos a preocupa por afetar não só a educação, Mas diversas políticas públicas de saúde. “A pesquisa que fazemos é importantíssima para a sociedade e para a saúde. O governo não tem dimensão da importância do que é produzido nas universidades”, diz.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.