Em Santos, eleição pode ser decidida já no primeiro turno

Liderança disparada do prefeito João Paulo Papa (PMDB) muda tradição da cidade, sempre dividida

Rejane Lima, O Estadao de S.Paulo

20 de setembro de 2008 | 00h00

A eleição em Santos, na Baixada Santista, pode ser decidida já no primeiro turno. Ao contrário de 2004, quando a diferença entre primeiro e segundo colocados foi de apenas 1.771 votos, desta vez o candidato à reeleição, João Paulo Tavares Papa (PMDB), lidera as pesquisas e dá mostras de que poderá derrotar o PT, agora com Maria Lúcia Prandi, já no dia 5 de outubro.De acordo com a pesquisa Ibope/TV Tribuna (afiliada da Rede Globo) divulgada ontem, Papa aparece com 72% das intenções de voto, ante 67% na pesquisa anterior, do dia 30 de agosto. Em segundo lugar, está a candidata do PT, Maria Lúcia Prandi, com 10% (9% na anterior), e, em terceiro, a candidata Mariângela Duarte (PSB), que tem 7% da preferência do eleitorado santista, ante 6% no levantamento do dia 30. O cientista político Fernando Chagas afirma que esta é a primeira vez desde a redemocratização que Santos não está dividida. "Metade da cidade normalmente votava no PT e a outra metade, ora no PP, ora no PMDB", disse. Segundo ele, a divisão seguia o parâmetro territorial e de renda, com as classes mais baixas moradoras dos morros e zona noroeste pró-PT e a elite e classe média da área leste adotando a canditatura antipetista.Para Chagas, é praticamente impossível haver um segundo turno em Santos e, mantida a tendência indicada pelas pesquisas, o atual prefeito pode vencer com até 80% dos votos. "A administração dele tem uma aprovação em torno de 60% e é muito difícil, com essa avaliação, um prefeito não ser reeleito", afirma."A imagem do prefeito Papa é muito boa, de um prefeito honesto, competente e bom gestor público", disse o cientista. Ele lembrou que a campanha foi beneficiada pela divisão na oposição.CONFUSÃO"A Maria Lúcia e a Mariângela estão disputando o mesmo voto. Muita gente até se confunde e acha que a Mariângela é que está no PT. Em todos estes anos de redemocratização, esta é a segunda vez que o PT não traz a Telma de Souza como candidata, e era ela que levava a eleição para o segundo turno." Telma foi prefeita de Santos de 1989 a 1992 e elegeu seu sucessor, David Capistrano. Nos anos seguintes, foi derrotada três vezes - duas vezes por Beto Mansur (PP) e, em 2004, por Papa. Neste ano, é candidata a vereador.Apesar dos números desfavoráveis, o PT santista não entrega os pontos e afirma que não sente tamanha preferência pelo adversário nas ruas. "A gente não tem essa sensação, não sente esse cenário, somos muito bem acolhidos pela população e por isso mesmo a nossa estratégia é intensificar a campanha de rua nestas duas semanas", diz o candidato a vice, Daniel Vazquez. Outra aposta do PT são os debates na TV. Estão programados pelo menos três nas próximas semanas, na TV Tribuna, na VTV (afiliada da Rede TV) e na Record Litoral.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.