Em Salvador, candidatos disputam imagem de 'mudança'

ACM Neto (DEM) e Nelson Pelegrino (PT) estão no segundo turno da capital baiana

Tiago Décimo, da Agência Estado

19 de outubro de 2012 | 16h17

SALVADOR - Mais do que ideias e propostas, a disputa eleitoral entre ACM Neto (DEM) e Nelson Pelegrino (PT) pela Prefeitura de Salvador está marcada, neste segundo turno, pela discussão sobre quem representa a "mudança" para a administração da cidade, hoje a cargo do mal-avaliado João Henrique Carneiro (PP).

 

O democrata, que venceu o primeiro turno por pequena margem (pouco mais de 5 mil votos), argumenta que representa a "verdadeira mudança", por não fazer parte nem da atual administração municipal, nem da estadual - liderada pelo petista Jaques Wagner.

 

Em seus discursos e na propaganda eleitoral, o governo do Estado é o principal alvo, com ataques à segurança pública, à educação e à (falta de) mobilidade urbana. Neto também tem usado com frequência a questão "por que não fez?" ao ser referir às promessas de campanha de Pelegrino, lembrando dos seis últimos anos de administração do PT no Estado. Além disso, lembra que o PP apoia formalmente a candidatura petista - apesar de João Henrique ter declarado neutralidade na disputa.

 

Pelegrino, por seu lado, tenta atrelar Neto à atual administração municipal para apresentar-se como o "candidato de oposição" à prefeitura. Desde o anúncio do apoio do PMDB baiano ao democrata, na semana passada, por exemplo, o petista passou a lembrar que foi a mesma parceria a responsável pela vitória de João Henrique, então no PMDB, sobre o petista Walter Pinheiro (atualmente senador), em 2008.

 

Pelegrino, porém, não quer repetir os erros de Pinheiro. Para isso, empenha-se, no segundo turno, em conquistar votos nos bairros de classes média e alta de Salvador, nos quais foi amplamente derrotado por Neto.

 

O petista, que no primeiro turno aparecia na propaganda eleitoral sempre em bairros periféricos, passou a gravar mais imagens em estúdio e a fazer promessas dirigidas especificamente para os moradores das áreas mais nobres da cidade, em especial intervenções na rede viária dos bairros para aliviar o trânsito. Além disso, tem promovido encontros com empresários e comerciantes para tentar melhorar sua aceitação nesses setores.

 

Pelegrino também reforça a atuação nos bairros periféricos em que venceu o democrata por pequena margem. Um deles é Cajazeiras, um dos bairros mais populosos de Salvador, para onde boa parte das promessas de campanha dos candidatos são dirigidas. Não por acaso a campanha petista marcou o comício com a participação da presidente Dilma Rousseff para o local.

 

Neto faz o caminho oposto. Derrotado na periferia da cidade, deixou as gravações em estúdio, predominantes no primeiro turno, para mostrar na TV imagens de suas caminhadas e conversas com moradores de bairros pobres. O peso de suas promessas para essas áreas também cresceu, com destaque para a proposta de instalar subprefeituras nas regiões carentes - e distantes dos centros administrativo e financeiro da cidade.

 

O democrata também se dedica a desfazer um comentário frequente entre os moradores de baixa renda da cidade, o de que é contra o Bolsa-Família. "Nem a presidente poderia acabar com o Bolsa-Família, se quisesse", argumenta. "Foi meu avô (o senador Antônio Carlos Magalhães) quem criou o Fundo de Combate à Pobreza, que deu origem ao programa. Nosso projeto é ampliar o Bolsa-Família em Salvador, facilitando o cadastro dos beneficiários."

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