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Gabriela Biló / Estadão
Gabriela Biló / Estadão

Em ‘sabatina informal’, Mendonça recebe apoio de senadores aliados ao governo em almoço

Convidados, nem Davi Alcolumbre, que comanda a CCJ, nem Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, aparecem na reunião

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

06 de julho de 2021 | 17h52

BRASÍLIA - O ministro da Advocacia-Geral da União, André Mendonça, iniciou o tradicional "beija-mão" no Senado antes mesmo de ser oficialmente indicado para o Supremo Tribunal Federal (STF), embora o presidente Jair Bolsonaro já tenha avisado à equipe que ele é o nome escolhido para a Corte. Mendonça foi recebido nesta terça-feira, 6, em um almoço na sala do bloco Vanguarda, formado por DEM, PL e PSC, partidos que, na sua maioria, abrigam aliados de Bolsonaro.

No cardápio, o prato principal lembrava o nome da Corte para a qual Mendonça foi indicado: “Supremo”. Mas era um supremo de frango, ao molho de queijos. Não faltaram ali brincadeiras. Havia também  medalhão de filé com bacon e molho de cogumelos, além de bacalhau à Bras. Tudo servido com vários acompanhamentos, como panache de legumes,  mix de folhas, farofa de ovos com banana da terra e cuscus marroquino. Para beber, refrigerantes, água e sucos de frutas integrais.

A reunião durou cerca de uma hora e meia. Passaram pelo almoço os senadores Wellington Fagundes (PL-MT), Carlos Portinho (PL-RJ), Daniela Ribeiro (Progressistas-PB), Zeca Marinho (PSC-PA), Plinio Valério (PSDB-AM), Maria do Carmo (DEM-SE) e Jorginho Mello (PL-SC). Ex-presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Simone Tebet (MDB-MS) também apareceu por ali, mas só cumprimentou Mendonça e saiu em seguida.

A sala do bloco Vanguarda, na Ala Tancredo Neves do Anexo 2 do Senado, sempre recebe convidados para almoços, tendo como  anfitrião o senador Wellington Fagundes (PL-MT). A prática virou tradição: já houve naquele espaço outras sabatinas informais com indicados para o Supremo e para a Procuradoria-Geral da República (PGR). O bloco também costuma fazer reuniões com ministros do governo.

Com Mendonça, Bolsonaro cumpre a promessa feita à sua base eleitoral de indicar um nome “terrivelmente evangélico” para o cargo. Pastor da Igreja Presbiteriana Esperança de Brasília, o advogado-geral da União enfrenta resistências no Senado, mas o presidente avalia que o quadro é reversível. No almoço, o escolhido de Bolsonaro afirmou que seus princípios religiosos o credenciam para exercer a função “com justiça”.

Ex-ministro da Justiça, Mendonça confirmou que teve o nome apresentado pelo presidente, mas tentou passar a imagem de humildade e disse estar fazendo uma “peregrinação”.

O bloco governista age para o titular da AGU receber sinal verde na sabatina. Os senadores aliados dizem que o escolhido por Bolsonaro tem tudo para ser aprovado, apesar das resistências na Casa. Mesmo com o clima ameno no almoço, Mendonça foi cobrado a se posicionar sobre o papel do Supremo. No Senado, há críticas ao excesso de decisões monocráticas e à amplitude de temas tratados pelo tribunal. Mendonça, porém, evitou tecer comentários sobre a atuação da Corte.

Presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e responsável por comandar a sabatina do indicado ao Supremo, Davi Alcolumbre (DEM-AP) não participou do almoço e tem muitos “senões” a Mendonça. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), também preferiu se ausentar e só pretende se pronunciar após Bolsonaro oficializar a indicação para a vaga de Marco Aurélio Mello. O decano do STF vai se aposentar compulsoriamente no próximo dia 12, aos 75 anos.

“André Mendonça tem demonstrado ser uma pessoa pronta para o diálogo e que, conosco, se comprometeu a trabalhar pelo fortalecimento das relações institucionais. Isso vai ajudar a levar ao STF mais dos anseios da população, o que é fundamental nas tomadas de decisões, em consonância com as leis”, disse o anfitrião, Wellington Fagundes, após o almoço. "Sim. Passa", afirmou Plínio Valério, quando questionado se o nome de Mendonça vai ser aprovado pelo Senado.

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