Divulgação/Governo do Estado de São Paulo
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Em revés para Doria, PSDB prevê adiar e restringir prévias

Aliados do governador cobram peso igual para o voto dos filiados na escolha do presidenciável tucano; comissão opta por eleição indireta

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2021 | 16h41
Atualizado 31 de maio de 2021 | 21h01

Em um revés para o governador de São Paulo, João Doria, a comissão designada pelo PSDB para definir o calendário e o modelo das prévias que escolherão o candidato do partido à Presidência em 2022 mudou a data da disputa – do dia 17 de outubro para 21 de novembro – e optou por um modelo de eleição indireta. A decisão precisa ser ratificada e a executiva vai se reunir hoje para discutir o documento.

Aliados de Doria já apresentaram formalmente uma divergência e defenderam o voto de todos os filiados. Isso porque a avaliação de integrantes da cúpula do PSDB é de que, hoje, o governador está em desvantagem na executiva e nas bancadas do partido na Câmara e no Senado. Com 301 mil filiados, o PSDB de São Paulo é o maior e mais organizado do Brasil. 

O grupo de Doria admite que está em minoria e que o partido deve referendar a indicação da comissão, mas tentará reduzir o peso dos deputados e ampliar o dos filiados e prefeitos. A decisão oficial será anunciada no dia 8. Quatro nomes já se apresentaram como presidenciáveis tucanos. Além de Doria, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, o senador Tasso Jereissati (CE) e o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio.

Leite considerou a decisão positiva. “A comissão conseguiu ajustar um modelo que dá equilíbrio federativo, contemplando também o tamanho que o partido tem nos Estados”, afirmou o tucano

Segundo a resolução da comissão enviada à executiva tucana, serão feitas “consultas primárias” a partir de quatro grupos, todos com peso unitário de 25% do total de votos (observada a proporcionalidade). Os quatro segmentos são: Grupo I: filiados; Grupo II: prefeitos e vice-prefeitos; Grupo III: vereadores, deputados estaduais e distritais; Grupo IV: governadores, vice-governadores, ex-presidentes e o atual da Comissão Executiva Nacional do PSDB, senadores e deputados.

Aliado de Doria, o secretário-geral do PSDB, César Gontijo, chamou de “excrescência” o modelo. “O voto de cada deputado vai valer o mesmo que 35 mil filiados. A democracia é cada pessoa um voto. Isso não são prévias, mas uma consulta qualificada”, disse. O PSDB tem 1,3 milhão de filiados, mas parte do cadastro está desatualizada. 

“Isso é uma grosseria, uma bobagem. Todos chegaram onde estão pelo voto direto e representam milhões de eleitores. É uma fantasia achar que o PSDB tem quase 1,4 milhão de filiados. No Rio e em outros Estados o PSDB se fragilizou muito”, rebateu o ex-senador José Aníbal, que coordenou o grupo de trabalho das prévias. 

Correligionários de Doria avaliam que conseguiram pelo menos impedir que as prévias fossem adiadas para 2022, como defendia ala do partido. Levantamento do Estadão nos 27 diretórios do PSDB mostra que só três deles – SP, RJ e GO – defendem realizar prévias para decidir o candidato ao Planalto neste ano. 

Na correlação de forças do PSDB, ala próxima ao governo federal prega que a legenda não tenha candidato próprio ao Planalto. Pelas contas de dirigentes e deputados tucanos, Tasso é quem tem maior apoio na bancada e mais força para enfrentar Doria pelo modelo apresentado. 

Antes apontado como candidato natural à Presidência, Doria acumulou atritos internos e entrou em rota de colisão com o presidente do partido, Bruno Araújo (PE), após tentar antecipar a sucessão na direção da sigla. O governador ainda sofreu desgaste ao ser pivô do rompimento do DEM com o PSDB com a filiação do vice, Rodrigo Garcia.

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