Em reunião organizada por Indio, deputado faz ataques de cunho religioso a Dilma

Arolde de Oliveira (DEM) chamou de 'arrazoado por que não devemos votar na Dilma' e orientou participantes a 'colarem' a candidata na terceira versão do PNDH-3

Luciana Nunes Leal, de O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2010 | 14h53

RIO - Em reunião com 500 líderes políticos e comunitários organizada pelo candidato a vice-presidente Indio da Costa (DEM), coube ao deputado reeleito Arolde de Oliveira (DEM) fazer os ataques de cunho religioso à petista Dilma Rousseff. O ponto central do discurso foi a terceira versão do Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), encaminhado ao Congresso pelo governo federal.

 

Integrante da Igreja Batista e com grande influência em outras denominações evangélicas, Arolde fez um discurso que chamou de "arrazoado por que não devemos votar na Dilma" e orientou os participantes a "colarem" o PNDH-3 na candidata do PT. "Os projetos do PNDH-3 agridem a liberdade democrática, desconstroem as instituições brasileiras e principalmente agridem e desmontam os princípios cristãos sobre os quais o Brasil, desde o Descobrimento, tem montado suas tradições", afirmou o deputado. "Eles querem fazer a ditadura do Estado. Massacrar, desconstruir a família", insistiu.

 

O deputado afirmou ainda que o presidente Lula só não mudou a Constituição porque não teve maioria necessária de dois terços da Câmara e do Senado, mas lembrou que, nas eleições de 3 de outubro passado, os governistas atingiram esta proporção de deputados e senadores. "O PT não assinou a Constituição. Agora eles fizeram maioria constitucional na Câmara e no Senado para fazer qualquer coisa. Ela (Dilma) poderá dizer que a Constituição será ela. A Nação vai ficar à mercê da cabeça desta senhora. Vamos ter que pedir a Deus que nos salve das garras dos marxistas", discursou Arolde. "Vamos divulgar, colar o PNDH-3 como programa de governo da candidata", conclamou o parlamentar do DEM.

 

"O Lula vem à boca de cena e diz `quando fui eleito, diziam que eu ia fechar igrejas, que ia acabar com a democracia e não aconteceu nada'. Não aconteceu porque ele não teve poder, não teve maioria constitucional no Congresso", disse Arolde aos líderes. "Eles estão cheios de ódio e revanchismos. O que foi feito na Bolívia é pinto", alertou o deputado do DEM.

 

Para evitar a imagem de agressividade contra os adversários, Indio da Costa fez um discurso de poucos ataques a Dilma, embora tenha afirmado que votar em José Serra (PSDB) é a "garantia das liberdades de imprensa, de expressão, de culto". O candidato a vice disse que a população não conhece as ideias de Dilma. "A candidata de lá, que a gente pouco conhece, conta uma lorota, depois fala para outro público e conta outra lorota. A gente nunca sabe qual é a posição dela", discursou Indio. Depois, em entrevista, o candidato disse que a legalização do aborto não foi um tema imposto pela campanha da oposição, mas pela sociedade. Indio reiterou as preocupações de Arolde com o PNDH-3.

 

"O PNDH-3 acaba com a liberdade de imprensa nesse país e contribui para o Brasil virar Venezuela, o que nós não queremos. Quando se fala em PNDH-3, se fala de muita coisa, são centenas de itens que assustam todo mundo. Trata de liberdade de culto, de expressão, liberdade de imprensa. Também trata do aborto, que tem sido um mote religioso não da campanha, mas da sociedade, que está mobilizada", disse Indio. "O mais incrível disso tudo não é a opinião da Dilma, se ela é favorável ou contr ao aborto. É que um dia ela é favorável, outro dia ela é contra. Não é só aborto, é sobre diversas questões, valores, princípios", afirmouIndio.

 

 

Atualizada às 17h40

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