Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

Em reunião no Alvorada, Dilma, Lula e ministros acertaram 'sacudida' na economia

Além de medidas que estão ainda em estudo há, principalmente, a retórica política sobre a questão econômica, para o governo tentar mostrar o que está fazendo e tem ainda para fazer em benefício da população

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2016 | 17h08

BRASÍLIA - Na reunião no Palácio da Alvorada em que selou a ida do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a Casa Civil, ficou acertada a “sacudida” na economia que o governo pretende dar para animar os investidores e tentar dar fôlego novo à população. Além de medidas que estão ainda em estudo há, principalmente, a retórica política sobre a questão econômica, para o governo tentar mostrar o que está fazendo e tem ainda para fazer em benefício da população.

"O governo quer tocar muito bumbo, para valorizar o que está sendo feito", disse um ministro. Questões como a reforma da Previdência não foram abandonadas pelo governo, mas passaram para o horizonte de médio e longo prazos. Na conversa da manhã desta quarta-feira, 16, no Alvorada, que durou quase três horas, foram discutidos também calendários e iniciativas que passarão a ser implementados após a posse de Lula, na terça-feira da semana que vem.

Depois da reunião no Alvorada, oito dos nove ministros petistas foram convocados pela presidente Dilma, para uma reunião no Planalto, antes da comunicação oficial da ida de Lula para o governo. Somente Jaques Wagner, agora deslocado para a chefia de gabinete não estava, porque embarcou no final da manhã para a Bahia, para comemorar seu aniversário. O clima foi de festa no encontro, que acabou contagiando assessores palacianos favoráveis à ida do ex-presidente para o governo. Dilma falou dos planos, lembrou que ela e Lula já trabalharam juntos por anos a fio e que a dupla deles sempre foi “exitosa”. Lula, fora do governo, sempre ajudava, mas agora, isso acontecerá de forma mais organizada, pontual e frequente, de forma mais "azeitada", afirmou a presidente.

O discurso é que, com Lula no governo, aumenta a capacidade de articulação não só com a base social, mas também junto aos parlamentares. Lula vai articular para que os partidos da base aliada passem a trabalhar contra o impeachment da presidente Dilma. Além de tentar desmontar o cerco armado pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, no Congresso, o ex-presidente Lula vai promover também uma articulação com os movimentos sociais. As manifestações programadas para sexta-feira, 18, pelo PT, já seriam um primeiro teste desta resposta à opinião pública da força que o partido quer mostrar que ainda tem. O governo quer mostrar que não está morto e que vai reagir a toda e qualquer iniciativa de deixá-lo nas cordas. Na reunião do Alvorada, além de Dilma e Lula estavam presentes os ministros Jaques Wagner, Ricardo Berzoini, Nelson Barbosa e Aloizio Mercadante.

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