Em reunião ministerial, Dilma alertará equipe sobre procedimentos éticos

Presidente adiantou que também vai dividir com os ministros da área econômica ônus políticos que podem ser provocados por cortes orçamentários

Leonencio Nossa e Tânia Monteiro, de O Estado de S.Paulo,

13 de janeiro de 2011 | 18h16

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff abre nesta sexta-feira, 14, às 14h, no Palácio do Planalto, a primeira reunião ministerial do seu governo. No encontro, ela alertará a equipe sobre a necessidade de adotar "procedimentos éticos" e dividir com os ministros da área econômica ônus políticos que podem ser provocados por cortes orçamentários. O ajuste nas contas de cada pasta é considerado "inevitável" pela presidente. A previsão é que o encontro se estenda até as 18h.

 

A abertura da reunião será feita pela própria Dilma Rousseff. Em uma explanação que deverá ser transmitida ao vivo pela NBR, emissora do governo, Dilma tentará demonstrar uma postura de "gestora" preocupada com contas e números de cada órgão da administração federal, segundos fontes do Planalto. Durante o encontro, ela exigirá dos ministros que dividam com Guido Mantega (Fazenda) e Mirian Belchior (Planejamento) os desgastes que podem ser causados pelo ajuste orçamentário.

 

O comportamento do ex-ministro da Saúde José Gomes Temporão, que no governo Lula reclamava da falta de orçamento, é lembrado no Planalto como exemplo de postura que Dilma Rousseff não aceitará por parte dos seus subordinados. Ela avalia que não há clima político para a criação de um novo imposto para financiar a saúde e diz que a limitação de recursos é uma forma de avaliar a capacidade "gerencial" de um ministro.

No encontro desta sexta-feira, a presidente deverá ressaltar, segundo auxiliares, que na falta de recursos é preciso, mais do que nunca, fazer o melhor possível.

 

Após a fala da presidente, o ministro Guido Mantega apresentará um quadro da situação econômica e mostrará limites orçamentários. Em conversas com Dilma, ele se queixou que, no governo passado, os colegas de ministério se comportavam como "vítimas" do corte de orçamento, sempre classificado como uma "necessidade" pelo Planalto. Ele reclama que sempre foi taxado de "vilão" e diz que gostaria de dividir com os colegas os estragos na imagem provocados pelos cortes.

 

Nos últimos dias, a presidente se reuniu com todos os seus ministros em audiências individuais. Assessores do governo dizem que os ministros já estão alertados em relação a "dúvidas" que Dilma poderá ter sobre ações e projetos desenvolvidos pelos ministérios. Na reunião, ela poderá fazer cobranças.

 

Os ministros serão informados oficialmente que, em breve, será criado um conselho de Gestão e Competitividade. O novo órgão irá auxiliar a presidente a acompanhar as ações das pastas e os números apresentados pelos ministros. Pelo formato de trabalho de Dilma, os ministros terão de estabelecer metas de redução de custos e apresentá-las periodicamente em reuniões no gabinete presidencial.

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