Em reunião do conselho, tucano questiona escolha de relator

Oposição veta aliado de Renan, escolhido mais uma vez para relatar processos contra o senador

02 de outubro de 2007 | 11h11

O Conselho de Ética deu início às 10h52 desta terça-feira, 2, à reunião que decidirá sobre os outros três processos contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). É a primeira vez que o colegiado se reúne desde que Renan foi inocentado no plenário, em 12 de setembro, por supostamente ter tido contas pessoais pagas por um lobista.   Logo no início, o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) questionou a escolha de Almeida Lima (PMDB-SE), aliado de Renan, para ser o relator das duas últimas representações contra ele. Virgílio afirmou que pedirá a exclusão do nome de Lima, por considerá-lo amigo e defensor de Renan, e se colocou à disposição do órgão para assumir a relatoria. "Eu teria aceito imediatamente. E aceito agora, mas não fui convidado", disse. Ainda nesta terça-feira, Renan negou ter batalhado para que Quintanilha escolhesse seu aliado como relator.   Veja também: Renan nega ter batalhado para ter aliado como relator Relator Almeida Lima diz que não é advogado de Renan  Especial: veja como foi a sessão que livrou Renan da cassação Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan  Fórum: dê a sua opinião sobre a decisão do Senado       Virgílio também propôs um esquema de sorteio entre os membros do conselho que excluísse os senadores do PMDB, incluindo Almeida Lima. Lima, escolhido na última segunda-feira pelo presidente do órgão, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), já foi relator do primeiro processo contra Renan e defendia o arquivamento do caso.   Unificação dos processos   Pouco antes, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) defendeu a unificação dos dois últimos processos contra Renan. Proposta que ele mesmo apresentou. A terceira representação trata da denúncia de que Renan usou "laranjas" para compra de emissoras em Alagoas e a quarta se o senador peemedebistas participou de um esquema de pagamento de propina envolvendo ministérios do PMDB.   Em sua fala, o senador Renato Casagrande (PSB) afirmou que não é prerrogativa de Quintanilha decidir pela união dos processos, mas sim uma decisão dos membros do conselho. Para Casagrande, a avaliação jurídica do presidente do colegiado não é verdadeira. Em resposta, Quintanilha disse que a decisão não foi de "unificação", mas sim de "reunir" as representações.   Caso Schincariol   Também na reunião, o senador João Pedro (PT-AM), relator encarregado da segunda denúncia contra Renan, vai pedir que essa representação seja suspensa até que a Câmara examine a situação do deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL). Olavo é irmão do presidente do Senado e, como ele, alvo da representação por suposta atuação para reduzir as dívidas da cervejaria Schincariol na Receita Federal e no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), após a empresa ter pago R$ 27 milhões por uma fábrica de refrigerantes do deputado que estava em situação deficitária.   João Pedro já havia anunciado que mandaria arquivar a denúncia. Mudou de idéia após a bancada de seu partido ter sido cobrada nas ruas por ter dado a maioria de seus votos - seja pela absolvição ou pela abstenção - em favor da manutenção do mandato de Renan.   O relator deve pedir o arquivamento da denúncia sobre a compra de empresas de comunicação em nome de laranjas sob a alegação de que a sociedade foi instituída no mandato anterior de Renan, iniciado em 1994. O líder do PMDB, Valdir Raupp (RO), alega que esse mesmo procedimento foi adotado quando a Mesa Diretora decidiu engavetar as denúncias contra o senador Gim Argello (PTB-DF) - a maioria entendeu que os negócios suspeitos envolvendo o senador do DF com o ex-governador Joaquim Roriz e o empresário Nenê Constantino ocorreram quando ele ainda não exercia o mandato de senador.   Como a Mesa do Senado não adotou essa posição em relação a Renan, Raupp acredita que "houve um engano". O líder não respondeu sobre o fato de que Renan, em 1998, quando se uniu a Lyra, já era senador, nem à hipótese de ele continuar se beneficiando das rádios adquiridas naquela época, sempre em nome de testas-de-ferro.  

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