Em reunião do Conselho, PMDB pedirá que coalizão funcione

A coalizão proposta pelo governo precisa se transformar em aliança real. Essa é a mensagem que o mais importante partido ligado ao Planalto dará ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na primeira reunião do Conselho Político, nesta quarta-feira. O presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), quer ouvir de Lula propostas para que a chamada "ampla base programática" comece a funcionar de fato. Para o parlamentar, a proliferação de candidatos aliados à presidência da Câmara dos Deputados é uma demonstração de que o bloco político ainda está no mundo da idéias. "Estou convencido de que a coalizão política tem que começar por aqui (no Congresso), tem que ter a aceitação de uma candidatura única (para o comando da Câmara)", alertou. "Temos que trabalhar em torno da idéia. Se não fizer isso aqui na Câmara, como é que vai dar seqüencia à coalizão?", questionou Temer. Desde que foi montada, a coalizão não sobreviveu bem aos testes a que foi submetida no plenário da Casa. O primeiro sinal de fragilidade é o inicial confronto entre os deputados Arlindo Chinaglia (PT-SP), líder do governo, e o presidente da Casa, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), ambos postulantes à presidência da Câmara. O segundo, igualmente emblemático, foi a derrota de um candidato da base, o petista Paulo Delgado (MG), na eleição para ministro do Tribunal de Contas da União, há duas semanas. Ele não recebeu todos os votos aliados, ao contrário do combinado, e perdeu a disputa para um nome da oposição, o pefelista Aroldo Cedraz (BA). O PMDB, maior legenda da coalizão, que ainda promete lançar também um postulante à presidência da Câmara, já deu um passo importante para afinar posições. Na noite de terça-feira, Temer encontrou-se com o presidente interino do PT, Marco Aurélio Garcia. Eles discutiram a necessidade de construir uma candidatura única com todos os aliados. Mais cedo na terça-feira, Temer havia recebido Chinaglia para uma conversa e não fez qualquer movimento para desencorajar o petista. A reunião do conselho político é o primeiro ato conjunto da coalizão. Ela coroa as alianças feitas pelo presidente da República desde a eleição para dar sustentação ao próximo mandato. Nove legendas foram convidadas a participar - PT, PMDB, PSB, PDT, PCdoB, PR, PRB, PV e PP, este recém-chegado ao grupo. A posição do PCdoB sobre o objetivo da reunião destoa da expectativa do PMDB. "Essa reunião foi convocada por ele (Lula) e cabe a ele primeiro dizer qual o papel do conselho. Não fomos avisados da pauta. Seria, agora, mais para oficializar a existência da coalizão. Na opinião do PCdoB, a sucessão no Congresso não deve ser discutida. Isso é assunto dos partidos", disse o presidente da legenda, Renato Rabelo. Uma lista extensa de exigências também será apresentada pelos convidados, cada qual fiel às suas posições ideológicas. Uns pedirão o ajuste fiscal rígido, outros, mais investimento do Estado para alavancar a economia do país e cumprir a meta do governo de crescer 5% ao ano.

Agencia Estado,

13 Dezembro 2006 | 12h20

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