Marcos Corrêa/PR
Marcos Corrêa/PR

Em reunião com Temer, senadores do PMDB articulam saída de Renan da liderança

Parlamentares querem saída de alagoano do posto no partido no Senado após críticas contra presidente

Breno Pires e Isadora Peron, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2017 | 16h40

BRASÍLIA - Os senadores do PMDB, que passaram mais de quatro horas reunidos com o presidente Michel Temer nesta quarta-feira,  24, fizeram queixas em relação à atitude critica do líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), e afirmaram ao presidente que será preciso articular a saída do peemedebista do posto. Dos 22 senadores, 17 participaram do encontro.

Segundo fontes, durante a reunião, muitos consideraram como “gota d’água”, as declarações de Renan feitas na terça-feira, 23, nas quais ele defendeu abertamente a saída de Temer para a realização de eleições indiretas. Na terça, durante sessão da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), Renan disse que “o ideal seria conversar com o presidente para fazer uma transição rápida e negociada”.

De acordo com o que foi conversado no Planalto, os senadores ficaram de ter uma nova reunião da bancada no Senado para acertar a sucessão do agora declarado “ex-aliado”. Segundo auxiliares de Temer, muitos senadores se queixaram e disseram que ele tem expressado opiniões sem consultar a bancada. “Um líder não pode constranger a sua bancada”, disse uma fonte.

Apesar de interlocutores do presidente destacar que na reunião os parlamentares mostraram “apoio total” ao presidente, segundo apurou a reportagem, ao menos quatro senadores - os conhecidos aliados de Renan - saíram em sua defesa: João Alberto Souza (MA), Hélio José (DF), Elmano Férrer (PI), Jader Barbalho (PA).

Além de Renan, não foram convidados para a reunião articulada pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá, os senadores Kátia Abreu, Eduardo Braga e Roberto Requião. Apesar de serem da ala oposicionista no partido, segundo o Planalto, na ultima reunião do dia 9 todos haviam sido convidados. O senador Zezé Perella (MG), que não esteve na reunião, segundo o Planalto, justificou sua ausência ao presidente.  

Sem renúncia. Temer, segundo fontes do Planalto, fez um discurso em que defendeu a necessidade de que as reformas continuem andando e que os senadores também têm a responsabilidade de não deixar o País parar. Segundo relatos, ao se despedir os parlamentares, Temer afirmou que eles poderiam ficar tranquilos que seu mandato só iria terminar em dezembro de 2018.

O presidente do Senado, Eunício Oliveira (CE), segundo fontes do Planalto, citou as acusações contra ele, se justificou e demonstrou apoio a Temer, que, após ser citado na delação da JBS, teve um inquérito aberto no STF. A senadora Simone Tebet, de acordo com interlocutores de Temer, foi uma das que falou abertamente sobre a “sugestão equivocada” de Renan sobre eleições diretas. Segundo a senadora, além de inconstitucional, a medida não acabaria com a crise política.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.