NILTON FUKUDA/ESTADÃO
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Em reunião com ministros, tucanos pró-Temer defendem 'correção' ou 'substituição' de Tasso

Deliberação sobre o presidente interino do PSDB será levada aos líderes partidários ainda nesta semana, o que deve aprofundar o racha interno na legenda

Renan Truffi, O Estado de S.Paulo

22 Agosto 2017 | 01h34

BRASÍLIA - Pouco mais de uma dezena de deputados federais do PSDB se reuniram nesta segunda-feira, 21, em um jantar de mais de quatro horas que invadiu a madrugada, para deliberar sobre o “comportamento” do presidente interino do partido, senador Tasso Jereissati (CE). “Aconselhados” pelo governador de Goiás, MarconI Perillo, e acompanhados dos ministros Bruno Araújo (Cidades) e Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo), os parlamentares pró-governo decidiram pedir a “correção” ou “substituição” do senador do comando da legenda.

A deliberação será levada aos líderes partidários ainda nesta semana, o que deve aprofundar o racha interno na legenda. Na avaliação dos deputados, Tasso tem tornado público um posicionamento diferente do decidido pela maioria do partido nas reuniões internas.

“Desde aquela reunião ampliada da Executiva, já começou esse comportamento. O partido decide uma coisa e, em público, o porta-voz se posiciona de maneira diferente. Então é evidente que nós acreditamos que isso pode ser corrigido. Vamos tentar exaurir esse processo. Se não for possível, somos adultos, responsáveis, então acredito que haverá bom-senso ou pra seguir no caminho que estamos ou num processo de diálogo que permita substituição sem que haja vencidos ou vencedores”, disse o deputado tucano Rogério Marinho (RN), que falou publicamente pelo grupo após o jantar.

O encontro ocorreu na caso do deputado federal Giuseppe Vecci (GO), um dos vice-presidentes da legenda, cotado para substituir Tasso. A reportagem contabilizou 14 deputados federais na reunião, além do prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior (RS). Marinho disse, entretanto, que ao menos 18 deputados da bancada, formada por 46 parlamentares, estiveram na casa de Vecci.

'Gesto'. Marinho salientou que o grupo espera um “gesto” de Tasso Jereissati de renunciar ao cargo ou do presidente licenciado do partido, senador Aécio Neves (MG), de sugerir um novo nome para levar a sigla à frente. “Via de regra, o que é decidido internamente não é explicitado pelo porta-voz máximo do partido. Em última instância, quem terá a prerrogativa de fazer um gesto de substituição é o presidente interino, renunciando, ou o presidente atual (Aécio Neves), entendendo que seja necessário sua substituição”, acrescentou o parlamentar potiguar.

Questionado sobre a influência de Perillo na reunião, Rogério Marinho disse que a presença do tucano foi um “cuidado” dos parlamentares diante da “história” e “experiência” do tucano. O governador de Goiás é tido como um dos candidatos à presidência da legenda nas eleições internas que devem ocorrer em dezembro.

“Não é possível que o pensamento público do partido seja o pensamento de quem quer que seja. Ele necessariamente precisa representar a média do pensamento ou da maioria que existe hoje no partido. Então, se o Tasso se dispuser a esse elemento, tudo bem. Senão, certamente ele vai ter a sobriedade de encontrar a alternativa”, afirmou o deputado.

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