Em reunião com grupo LGBT, Dilma evita 'cura gay' e condena discriminação

Presidente dá continuidade a série de encontros com movimentos sociais após onda de protestos

Rafael Moraes Moura - O Estado de S. Paulo

28 Junho 2013 | 17h39

Brasília - Em reunião com representantes de movimentos de gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis, a presidente Dilma Rousseff defendeu nesta sexta-feira, 28, que o Estado tem o dever de impedir a violência contra a comunidade LGBT, mas evitou comentar o projeto de 'cura gay', que tramita na Câmara dos Deputados, segundo relataram participantes da reunião. O dia de hoje, 28 de junho, é comemorado por militantes como o Dia do Orgulho Gay.

 

O Projeto de Decreto Legislativo 234/2011, apresentado pelo deputado e pastor evangélico João Campos, filiado ao PSDB de Goiás, tem sido um dos principais alvos dos protestos de rua. Na Câmara, recebeu parecer favorável da Comissão de Direitos Humanos, sob a liderança do deputado e também pastor Marco Feliciano (PSC-SP). Nessa quarta, 26, o PSDB divulgou nota oficial manifestando publicamente "posição contrária" à proposta.

 

"A presidente nos disse que o Estado tem o dever de defender e impedir a violência contra a comunidade LGBT, e isso é muito importante vindo da mais alta autoridade da República", disse Toni Reis, secretário de Educação da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT). No decorrer dessa semana, Dilma recebeu lideranças políticas e de movimentos sociais para debater soluções às reivindicações feitas nos protestos das ruas.

 

"Dilma não falou diretamente (sobre o projeto da 'cura gay'), mas hoje queremos a rejeição do projeto, que deve ir à votação na semana que vem, ou terça ou quarta-feira (na Câmara). Não se pode curar o que não é doença. Já temos o apoio do PSDB, do PT e de vários partidos para que seja enterrado esse projeto que, para a gente, é uma excrescência de cidadania", destacou Toni Reis. "A presidenta falou na laicidade do Estado, não dá pra fazer propaganda de opções religiosas ou outras questões. Pedimos políticas públicas (para a população LGBT)."

 

Para a ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, a presidente Dilma se posicionou "muito claramente" contra toda forma de violência e discriminação no Brasil. "Ela posicionou o seu governo contra todas as formas de violência que qualquer brasileiro sofra, se solidarizou e determinou que tenhamos iniciativas concretas para enfrentarmos qualquer violência à comunidade LGBT", disse.

 

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