MARCOS ARCOVERDE/ESTADÃO
MARCOS ARCOVERDE/ESTADÃO

Em reta final, Dilma adota medidas para agradar sua base social

Presidente quer reagrupar estudantes e sem-terra, entre outros setores e criar uma pressão sobre o vice-presidente Michel Temer

Anne Warth, André Borges, Adriana Fernandes, Murilo Rodrigues Alves e Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo

28 de abril de 2016 | 08h18

BRASÍLIA - Enquanto o processo de impeachment avança no Senado, o governo Dilma Rousseff (PT) decidiu adotar um conjunto de medidas que representam forte impacto financeiro e têm potencial para causar desgaste político para a eventual gestão de Michel Temer (PMDB).

A iniciativa do governo tem por objetivo reagrupar setores de sua base, como estudantes, sem-terra, indígenas e pequenos agricultores, e estimular uma pressão sobre o vice-presidente no momento em que ele tenta reverter expectativas negativas sobre o futuro dos programas sociais.

Na terça, 27, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, anunciou mudanças no financiamento estudantil Fies para estimular o acesso às bolsas. Após ter feito um pente fino no programa, que consumiu R$ 13,7 bilhões em 2014, o governo já cogita flexibilizar a maior das medidas de restrição tomadas durante o ajuste fiscal: o limite de renda familiar, atualmente de 2,5 salários mínimos per capita.

Como resposta à proposta do grupo de Temer que prevê um reajuste do Bolsa Família caso assuma a Presidência, o governo quer sair na frente com um aumento em torno de 5%.

O Planalto quer o reajuste, com o apoio do Ministério de Desenvolvimento Social, mas enfrenta resistência na equipe econômica. O Ministério da Fazenda defende que é preciso alterar a meta fiscal no Congresso para abrir espaço no Orçamento de R$1 bilhão. A última correção do Bolsa Família foi nas vésperas das eleições de 2014.

Na habitação, os bancos públicos já liberaram R$ 2,4 bilhões de R$ 9,5 bilhões do FGTS para financiamento à casa própria em dois meses. A reviravolta do governo marca uma drástica mudança de postura de Dilma Rousseff com os movimentos sociais e comunidades indígenas. Dilma conseguiu encerrar seu primeiro mandato como a presidente que menos demarcou áreas de terras indígenas desde 1985. Em sua gestão, a Funai foi completamente sucateada e enfrentou sua pior fase desde a sua criação, em 1967. Apesar da reaproximação do Movimento dos Sem Terra, é grande a insatisfação do MST e demais organizações agrárias com o desempenho fraco de Dilma no tema fundiário.

Apesar do desânimo no Planalto e do abatimento da presidente, Dilma programou uma agenda extensa para ser cumprida nos próximos 12 dias, que poderão ser os últimos de seu governo, caso o Senado aprove mesmo a abertura do processo de impeachment e ela seja afastada do cargo por até 180 dias. Dilma já reconheceu que está “praticamente descartada” a chance de conseguir reverter os votos na Comissão Especial e no plenário.

Dilma também avalia a extensão do Programa Mais Médicos, com prorrogação de prazo da permanência dos profissionais estrangeiros no Brasil, por mais três anos. Assim, o projeto ficaria em funcionamento até 2019. Em 2016, a verba destinada ao Mais Médicos foi de R$ 2,7 bilhões e outros R$ 5 bilhões seriam aplicados em financiamento de construções, ampliações e reformas de unidades de saúde.

Na terça-feira da semana que vem, 3 de maio, Dilma que lançar o Plano Safra 2016/2017, com o Ministério da Agricultura, para o qual deverão ser destinados algo em torno de R$ 200 bilhões. Para a próxima safra da Agricultura Familiar (2016/2017), o Planalto está antecipando em dois meses o anúncio da liberação dos recursos e os estudos preveem liberação de algo em torno de R$ 30 bilhões, em cerimônia na quarta-feira, dia quatro de maio. Os números dos dois planos ainda não estão sendo fechados. 

Bolsa Família

Governo estuda um aumento em torno de 5% no Bolsa Família. O valor médio atual é de R$ 163 por família. O governo gasta, em média, R$ 2,3 bilhões por mês com o programa. 

Habitação popular

Bancos públicos já liberaram cerca de R$ 2,4 bilhões de R$ 9,5 bilhões do FGTS para financiamento à casa própria em março e abril. No ano passado, foram liberados R$ 5 bilhões.

Fies

Após restringir o acesso ao programa, governo avalia flexibilizá-lo. Medida alteraria o limite de renda familiar - dos atuais 2,5 salários mínimos per capita para 3,5 mínimos per capita.

Mais Médicos

A presidente Dilma Rousseff vai prorrogar nesta sexta-feira o prazo de permanência dos médicos estrangeiros no Brasil. O período ainda não está fechado, mas estuda-se que seja até 2019. 

Plano Safra

Governo vai lançar o Plano Safra do agronegócio, estimado em R$ 200 bilhões; e o Plano Safra de Agricultura Familiar (R$ 30 bi). 

Reforma agrária

Só no início deste mês, foram 21 decretos assinados desapropriando terras em 14 Estados - governo quer avançar mais. 

Terras indígenas

Dilma deve assinar a homologação de diversas terras indígenas

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.